Ceará: nos campos da seca No início do século 20, no Ceará, os poderes públicos estadual e federal criaram campos de concentração para evitar que flagelados famintos fugindo do sertão semi-árido chegassem a Fortaleza Transporte futurístico Asseio chinês Banzo: a melancolia negra A depressão e o suicídio dos escravos eram fatos corriqueiros A história da Ciência Em busca da origem humana Dez grandes elos da corrente evolutiva Kellogg´s: lábia do tigre Dossiê Brasil A saga humana por Blainey Cinqüenta anos de circo Enciclopédia de ritmo Paulística Forte de Ardoch: invasão fofinha Madeira de lei Museu Imperial da Guerra Beethoven dedicou sinfonia a Napoleão O petróleo é nosso: prêmio Esso de jornalismo Criação gráfica de AVENTURAS NA HISTÓRIA vence Prêmio Esso de 2004 Os sete mitos da conquista da América Como poucas centenas de espanhóis submeteram milhões de índios, alguns tão desenvolvidos quanto as mais avançadas civilizações européias? Quem cala, consente Fevereiro na História Dinheiro Falta de uma moeda única confundiu os Estados Unidos até o século 19 Missão: matar Kennedy Átila, o único Famoso por desestabilizar o Império Romano e quase tomar Roma sozinho, o rei dos hunos lutou contra outros bárbaros e espalhou o terror pela Europa no século 5 Trem movido a samba Na década de 20, os trens do Rio de Janeiro serviram de palco para os ensaios de Paulo da Portela e seus amigos bambas A festa canibal tupinambá Band of Brothers: companhia de heróis Depoimentos tornam clássico da Segunda Guerra Fim da segunda guerra EUA: ameaça biológica Os 56 anos de experiências secretas, má administração e acidentes do laboratório que produziu vírus e bactérias para serem usados como armas de guerra pelos Estados Unidos Guerra Fria: o mundo por um fio Durante 50 anos, americanos e soviéticos trocaram acusações, ameaças e colocaram o mundo todo em alerta nuclear Estrago colonial A última cruzada dos templários Kissinger, o arquiteto da Guerra Fria Revelação de 3 200 telefonemas do ex-secretário de Estado Henry Kissinger mostra o lado prático e enérgico do imperialismo americano Aos olhos de Churchill A moda de ir à praia começou como recomendação médica Para se livrar de um carrapato, o rei dom João VI inaugurou o costume no Brasil
Aventuras na História Nº 18 (Fevereiro de 2005) - Átila, o Rei dos Hunos
Editora Abril
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No "Infográfico", a festa canibal, mostrando o costume dos tupinambás para prisioneiros de guerra, que dava numa festança com churrasco, mingau e ostentações de poder. Ô louco, meu! Ritual horrendo, com coisas como: o infeliz da vez tendo que declarar "aqui chegou sua comida", sendo morto numa cacetava que espirrava miolos e tendo os lábios transformados em pulseira para o carrasco, numa moda surreal. Todos conheciam e costumavam seguir fielmente o protocolo (incluindo 'a refeição') e estudiosos dizem que a palavra 'mingau' teria vindo desses ritos, no cozimento das vísceras do desinfeliz (quitute apreciado). O "Dito e Feito" trouxe suposta origem do ditado "quem cala consente". Não vou me ater a nomes, mas teria surgido no século 13, na disputa pelo poder entre certo rei e papa, quando o primeiro mandou executar o segundo (um desafeto que o contrariava), e com a morte papal, não houve mais querela sobre suas decisões. Entre as "Notas Históricas", achei curiosa a origem do banho de mar entre cariocas. Não era costume e até mal visto, já que as praias eram lugares associados a despejo de corpos e toneis de m#$&@ pelos escravos. Em 1810 o D. João estava com as pernas perebentas por ataque de carrapatos e, por recomendação médica, foi encorajado a mergulha-las na água do mar. O monarca foi, mas dentro de um barril em que entrava só um pouco de agua, o suficiente para alcançar as canelas... Banho nem pensar, né! Seja como for, a moda foi pegando e conquistando cada vez mais adeptos entre os compatriotas de "finos costumes europeus"... A reportagem de capa trouxe Átila, o huno. Em destaque, a selvageria praticada como intimidação para as conquistas. A exemplo de Alexandre, seu império cresceu rapidamente, ruindo também na mesma velocidade quando morreu. E a exemplo de Aníbal, esteve também às portas de Roma, para conquista-la, mas desistiu na hora H (talvez por conta de suas tropas estarem exauridas por intensas batalhas, como aconteceu com o cartaginês também, mas outras razões são possíveis e especuladas na reportagem...). "Os sete mitos da conquista da América". No que foi apresentado, o mais curioso é que o embate entre Cortez e Montezuma não representou, essencialmente, um confronto de europeus e astecas. Segundo o texto, o cenário era de muita rivalidade entre os povos americanos (civilizações pré-colombianas) e Cortez aproveitou a situação para reunir tropas com nativos inimigos dos astecas e Montezuma. "O mundo por um fio" abordou a Guerra Fria, descrevendo momentos de maior tensão. Certamente o mais conhecido e acirrado foi a crise dos mísseis russos em Cuba, no ano de 1962 (e o crápula do Fidel, hein! desejando a guerra...), mas o que achei mais curioso foi o ocorrido em 1983, onde a intuição acertada de um militar russo evitou o que poderia ter sido interpretado como ataque de mísseis e início da guerra nuclear. Pagou um preço, porém, valeu demais sua perspicácia para a história contemporânea. "Nos campos da seca" é o melhor da edição (na minha leitura), expondo a terrível seca de 1915 no Ceará, quando foram criados campos para retirantes, 'curral de flagelados' (literalmente chamados de campos de concentração), numa tentativa repressora do governo de impedir que chegassem à capital (isso lembra algo na atualidade..). Por lá eram mantidos e vigiados por militares, sem muita eficiência em assistência social. Quase 140 morriam por dia e a reportagem também mostra a realidade em uma seca mais antiga, de 1877, quando as mortes chegavam a 400 diariamente. Dá para acreditar que uma das soluções foi enviá-los para a guerra como soldados... Fiquei também motivado para a leitura de "O Quinze", de Rachel de Queiroz, que foi citado com trama nesse contexto (seca de 1915). Finalizo com versos impactantes registrados em uma das imagens (chocantes) que ilustram a matéria. Não sei quem foi o autor, se foram escritos na época, mas expressando de maneira visceral o contexto abordado. Está na foto antiquíssima de uma mulher nua, sentada, com o corpo famélico, destruído pelos horrores da seca: "Tenho fome! tanta fome Que já não me posso erguer! Miséria, que me consome Faze que eu possa morrer!"
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