A premissa de Médico em Auschwitz é uma das mais mórbidas de toda literatura do século XX: um médico criminologista, judeu húngaro, trabalha forçadamente no campo de Auschwitz, sob o comando do próprio Dr. Josef Mengele. Infelizmente, é um livro de não-ficção. A auto-biografia de Miklos Nyiszli, médico em Auschwitz, possuí descrições vivas dos acontecimentos no campo. Sob a ótica do meticuloso Dr. Nyiszli, nada escapa. Descreve vivamente a rotina de Sonderkommando (prisioneiro especial: tratado melhor que os outros, trabalhava diretamente nas câmaras de gás e era executado depois de dois ou três meses). O livro de Nyiszli revelou ao mundo muito da crueldade dos campos, da natureza dos nazistas: Nyiszli pinta oficiais cruéis, mas ainda humanos - mesmo o Dr. Mengele, ocasionalmente, parece um ser humano. As descobertas de Nyiszli sobre sua desumanidade, e a de seus comparsas, no entanto, rompe com a narrativa fluída ocasionalmente, em surtos de revolta do autor frente aos métodos nazistas.
Médico em Auschwitz - Os Grandes Enigmas da Guerra Secreta
Miklos Nyiszli
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Neste livro autobiográfico teremos a história do médico judeu Miklos Nyiszli. Teremos então o relato detalhado, triste, mórbido e chocante de alguém que foi levado forçadamente a trabalhar no campo de concentração nazista de Auschwitz. O livro começa em 1944 (lembrando que a Alemanha Nazi comandada por Hitler iniciou em 1933) quando o Miklos é enviado ao campo de concentração junto com sua família. Então nos é apresentado detalhes de como foi chegar ao campo de concentração, desde como é dentro dos trens lotados de pessoas que já chegavam doentes e sem entender muito o que estava acontecendo. E não entendiam por causa da propaganda nazista que vendia para o mundo e para a população que realmente eram campos de trabalho (e na verdade sabemos e vamos ficar vendo detalhes disso neste livro, era um campo de extermínio). Então eles chegavam ao campo e eram separados em dois grupos, um ia para a esquerda e outro ia para a direita. O da esquerda eram selecionados para já ir para a câmera de gás. Vou tentar não dar spoiler. Mas ao chegar no campo conhecemos um dos personagens mais famosos do período nazista, o médico Josef Mengele, que era o médico responsável pelo campo de Auschwitz. Em algum momento o Mengele pergunta aos médicos judeus quem era conhecedor de anatomia patológica e dissecação e o Miklos Nyisli fala que tem conhecimento e é levado a fazer algumas provas práticas, o Mengele aprova ele e então o Miklos acaba sendo selecionado para trabalhar forçadamente mas classificado como um prisioneiro especial: tratado melhor que os outros, trabalhava diretamente nas câmaras de gás e era executado depois de dois ou três meses (chamado de Sonderkommando). Basicamente Miklos passa a ser o médico responsável por fazer dissecações e experimentos pseudocientíficos comandados pelo Mengele. Interessante ressaltar que o próprio Miklos fala no livro que eram experimentos pseudocientíficos e que os nazistas falavam com tanta convicção para tentar justificar essa ideologia macabra nazifascista. Então neste livro teremos descrições vivas dos campos de concentração, uma vez que o prisioneiro médico acaba tendo privilégios e consegue nos relatar os acontecimentos. Veremos relatos de diferentes formas que o nazistas usavam para matar. E apesar de alguns momentos a gente pensar pq ele está se sujeitando a isso era a única maneira dele sobreviver, uma vez que ele estava sendo forçado e fazendo de tudo para salvar sua família (graças a seu um médico bom que faz o que é mandado é que ele conseguiu salvar sua esposa filha e mais algumas centenas de pessoas). É tão pesado o livro que as vezes parece livro de ficção. Mas infelizmente, é um livro de não-ficção. Eu dei 5 estrelas para este livro, mas vi algumas pessoas dando 4 estrelas, pois não gostaram das descrições detalhadas das dissecações. Entretanto para mim esse detalhamento deixa o livro ainda melhor. Assim como o Diário de Anne Frank, este livro é como um diário. A diferença que a Anne acompanhamos os relatos dela escondida com a família, até o momento que acham ela. E neste teremos o relato de dentro do campo até o momento que o Exercito Vermelho e os aliados chegam para destruir o império alemão em 1945. É um livro que expõe a crueldade dos campos, mostrando por dentro os horrores. A gente tem o modus operandi. Apesar de ser uma leitura pesada (mórbida) os capítulos são curtos e são narrados de uma forma fluída que é possível ler as 273 páginas bem rapinho. Essa edição de 1980 conta com fotografias reais que deixam a leitura ainda mais triste e impactante pois a narrativa já te deixa com imagens assustadoras na mente, as imagens aparecem para o nocaute final. Leiam este livro.
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