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Os contos "Os quatro encontros" e "O Discípulo" revelam competência natural, mas não a verdadeira genialidade expressa em "O Mentiroso".
Dois temas se destacam: o caráter humano e a expressividade da arte. Um terceiro será apontado a seguir.
Lyon, pintor, conhece estranha personalidade, dada a narrar como verídicas certas histórias fantásticas. Encanta-se com a esposa dessa pessoa, e torna-se assíduo do casal. Impressiona-se com a formação e o orgulho da senhora Capadose, pelos quais "a mentira seria a última coisa que ela suportaria" (p.112).
Em determinado momento, reflete que o Coronel Capadose era um "mentiroso platônico", não maldoso. Falava à vontade, com certo amor pelo belo — arte pela arte... "Ele põe colorido onde deve haver. Por acaso, não é isso mesmo que faço na minha profissão?"
E Lyon permanece observando o casal, sempre com considerações — até em relação à filha — de que o grande problema era a paciência que a senhora Capadose deveria ter com a situação. Lyon resolve pintar o Coronel, e o faz. Um acaso permite a Lyon observá-lo a mentir enquanto posava, e sua grande arte se presentifica — tanto que, na mais emocionante cena, Lyon vê o casal apreciar o quadro pela primeira vez: a senhora Capadose fica escandalizada com o caráter do coronel posto a nu.
E Lyon se orgulha da obra que o Coronel estraga: "Sua velha amiga sentia-se envergonhada pelas sandices do marido e ele, o pintor, havia feito com que ela o revelasse, ali, no estúdio, naquele estado desesperador" (p.134). Tempos depois, ele percebe, porém, que a senhora Capadose estava totalmente tranqüila em relação ao caráter do marido. Ela também mentia, e com desenvoltura. A impressão é mais forte, uma vez que, no caso, ela ajuda a mentir a respeito de uma situação narrada, e, portanto, conhecida pelo leitor — a destruição do quadro. A mentira é flagrante.
Narrativa simples: relato cronológico recheado de avaliações psicológicas de Lyon. Como em Machado ou em Tchekhóv, retrato de personagens do cotidiano com metacomentários especiais, que explicam com palavras irônicas ou conformadas a realidade que está sendo ou foi expressa de modo já brilhante.
James, apontando Lyon como pintor, pinta ele mesmo com seu texto a forte personalidade do protagonista, pela influência que exerce sobre a amorosa esposa. A transformação é clara: na cena fundamental, ela se envergonha pela condição do marido ter sido descoberta. Na cena final, ela age como o marido, mentindo com fluência. O devotamento supera o orgulho, pelo menos em seu caso. Lyon, desapaixonado, despede-se entristecido, e para sempre.