Dois amigos se reencontram em um trem e alguns sentimentos surgem com o ocorrido, mas um deles está em uma situação um pouco inusitada, interrompendo o momento de reunião entre os dois. Este e-book faz parte do projeto Literatura Descoberta, que tem por objetivo levar ao público traduções inéditas de textos disponíveis no Domínio Público com uma linguagem mais acessível. O projeto foi idealizado por Laura Scaramussa Azevedo, bacharelanda em Tradução pela Universidade Federal de Ouro Preto.
Amor Aprisionado -
O. Henry
Edições (1)
Ver maisUm Escritor de Fino Trato
Nascido em 1862, numa família rica e culta, William Sydney Porter não tardou a contrariar as expectativas sobre um futuro estável e virtuoso. Aos 32 anos, era foragido da justiça, condenado a prisão pela falência do jornal de sua propriedade e um desfalque no banco onde trabalhava. Convencido a se entregar, ele foi foi solto aos 39 anos e, a partir daí, resolveu mudar de vida e viver exclusivamente da literatura, algo que até então encarava como mero passatempo. Contudo, com medo de ser reconhecido, adotou o pseudônimo de O. Henry. Infelizmente, sua carreira durou apenas oito anos. Em 1910, ele morreu cirrótico, pobre e recluso, deixando um legado de aproximadamente 400 histórias curtas, a maioria ambientada em Nova York. Aliás, costuma-se afirmar que, se vítima de uma catástrofe, a cidade poderia ser reconstruída a partir de suas descrições. Hoje em dia, ele é considerado um dos maiores contistas dos Estados Unidos, sua influência é incontestável sobre o realismo de Cheever e Fante assim como na geração beat de Kerouac e no jornalismo literário de Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote. Todavia, ele é pouco conhecido no Brasil, o que reveste de importância a publicação do conto Amor Aprisionado que, traduzido por Laura Scaramussa Azevedo, faz parte do projeto Literatura Descoberta. A história tem como cenário o expresso da B&M, um trem que cortava os Estados Unidos de oeste a leste, e o casal de protagonistas, dois jovens amigos, revelam num encontro casual o melhor de O. Henry: o estilo refinado, de um escritor de fino trato, a aguçada crítica social e a fluidez narrativa. Em raro depoimento guardado num museu em sua homenagem na Carolina do Norte, é possível compreender a genialidade de O. Henry, ao mencionar como se inspirava e escrevia: “Meus personagens são fac-símiles de pessoas que conheci. A maioria dos autores passa horas e até mesmo dias, para criar os contornos de uma história que tem em mente. Eu não. Na minha opinião, isso é um grande desperdício de tempo. Eu apenas me sento e deixo meu lápis fazer o resto. As pessoas me perguntam como faço para dar aquele ar especial aos contos. Eu sempre lhes digo que o inusitado é comum e não inesperado.” Até a próxima!
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