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    Na Terra do Cervo Branco -

    Chen Zhongshi

    Estação Liberdade
    2019
    857 páginas
    1d 4h 34m
    ISBN-13: 9788574483047
    Português Brasileiro
    4.7
    88 avaliações
    Leram111Lendo23Querem451Relendo1Abandonos0Resenhas18
    Favoritos26Desejados451Avaliaram88

    Na planície que dá nome ao livro, as famílias Bai (白“branco”) e Lu (鹿, “cervo”), parte de um mesmo clã, alternam-se no poder. Acompanhamos três gerações destas famílias, encabeçadas respectivamente pelo honrado líder regional Bai Jiaxuan e por seu amigo e rival Lu Zulin, enquanto tentam navegar a arrasadora onda de mudanças e destruição a que o povo chinês foi submetido na primeira metade do século XX. Com o fim da dinastia Qing e a queda do Império, em 1912, os séculos de razoável estabilidade são substituídos por uma disputa sangrenta pelo poder. Primeiro, as guerras civis: sem a figura central do Imperador, os senhores feudais locais passam a brigar entre si. Logo, a disputa entre o Partido Nacionalista (Kuomintang) e o Partido Comunista, cada um com sua ideia de libertação popular. Ao mesmo tempo, a invasão japonesa e a devastadora Segunda Guerra Mundial. Novamente, a guerra total entre partidos, que culmina na Grande Marcha e na fundação da República Popular da China sob Mao Tsé-Tung. Com o estabelecimento do novo Estado revolucionário, novos valores e formas de vida vêm substituir a cultura arraigada há milênios. Contra esse pano de fundo histórico, o elenco de personagens memoráveis criado por Chen Zhongshi compõe um retrato das formas possíveis de viver perante as catástrofes do destino. Conhecemos a ética e a organização da vida local em comunidade; experimentamos os rituais mágicos e simbólicos tradicionais, bem como a filosofia do confucionismo – incorporados no doutor Leng e no sábio Mestre Zhu. Acompanhamos personagens em busca de suas revoluções pessoais por meio da educação, do banditismo ou da adesão aos grupos de poder. Vemos a opressão patriarcal e as tentativas de libertação feminina, encarnadas nas personagens Xiao’e e na forte figura de Bai Ling. Por fim, vemos como, com contornos trágicos, as escolhas pessoais levam as famílias amigas a lados opostos de uma guerra fratricida. Concebido em 1987 e publicado em 1993 – período em que o autor voltou à zona rural da infância para mergulhar na atmosfera que queria recriar – NA TERRA DO CERVO BRANCO é um clássico moderno da literatura chinesa. O livro alçou Chen Zhongshi ao patamar de autores como Yu Hua ou o Prêmio Nobel Mo Yan, com a diferença de que, em vez de buscar uma literatura globalizada, ele trata de assuntos eminentemente chineses. A epígrafe do livro, de Balzac, afirma que o romance é como a “história secreta de um povo”. É esse o efeito do mergulho magistral do autor na cultura chinesa. O épico é uma história universal do poder das escolhas em confronto com a violência do tempo, das disputas humanas e das mudanças.

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    Resenhas (18)Ver mais
    Jessé s coronado picture
    Jessé s coronado15/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tradições e guerra em meio a uma saga familiar.

    Foi com grande prazer que conclui a leitura desse épico Chinês escrito pelo romancista Chen Zhongshi. E posso dizer sem sombra de dúvidas que foi a melhor leitura que fiz em 2020 até aqui. Na estória, acompanhamos a trajetória de três gerações das Famílias Bais e os Lus, as duas famílias mais influentes da aldeia do Cervo Branco. Inclusive a aldeia possui esse nome exatamente por Bai significar (Branco) e Lu significar (cervo), e também tem esse nome, por conta de mitos e crenças, que envolvem essa figura do Cervo. O autor nos leva numa viagem pela história da China, intercalando momentos históricos, com tradições e costumes, e seguimos esses personagens desde a dinastia Qing, até a criação do comunismo, que teria como sua figura mais importante Mao Tse Tung. A forma como o livro foi escrito é apaixonante, e nem reparei nas 857 páginas que ele possui. Na verdade eu nem queria que acabasse, pois a narrativa e seus personagens são tão cativantes, que é difícil se despedir deles. E por falar em personagens, aqui temos vários, e nenhum é desnecessário. Todos tem destaque no livro, e fecham seus ciclos de maneira mais que satisfatória. E confesso que foi impossível não se emocionar com o final que o escritor escolheu pra alguns desses personagens. Enfim, eu super recomendo esse livro, seja pra quem quer uma boa história, ou pra quem quer conhecer mais da China em todos os aspectos. Ou até mesmo pra quem está procurando fugir um pouco do tradicional, e quer arriscar na literatura de outros países. É cinco estrelas sem pensar duas vezes.

    16 curtidas

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    Avaliações

    4.7 / 88
    • 5 estrelas65%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas6%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Chen Zhongshi

    Chen Zhongshi estreou na ficção em 1973, com um conto publicado em uma revista local, e seguiu publicando uma literatura de cunho realista e regional. Com a morte de Mao Tsé-Tung e a abertura do país, conheceu a obra de autores estrangeiros como Anton Tchékhov, Honoré de Balzac e Gabriel García Márquez, além de novos olhares sobre a situação chinesa, transcendendo a visão oficial do Partido. Com a publicação do sucesso internacional Na Terra do Cervo Branco, o autor viu sua popularidade crescer imensamente. Com o distanciamento da morte de Mao Tsé-Tung e uma gradual abertura do país ao exterior, novas possibilidades de pensar o período revolucionário apareceram na literatura a partir de 1990. É o movimento do novo romance histórico chinês, do qual esta obra é um dos principais representantes. Após a publicação de sua obra em 1993, Chen tornou-se conhecido praticamente do dia para a noite. Os críticos descreveram a obra como “uma reflexão realista sobre a história contemporânea da China”. Em 1997 sua obra conquistou o prêmio Mao Dun, considerado o prêmio máximo da literatura chinesa, além de vender milhões de exemplares e ganhar diversas adaptações. Além de considerada sua obra-prima Na Terra do Cervo Branco (White Deer Plain - 白鹿 原) foi adaptada para diversos formatos, incluindo: ópera de Shaanxi, teatro, musicais, comédias e esculturas. Em 2010, a obra foi adaptada para o cinema num filme realizado por Wang Quan’an, incluindo os atores Zhang Fengyi, Zhang Yuqi e Duan Yihong. O filme competiu para o Urso de Ouro do 62º Festival Internacional de Cinema de Berlim, tendo Lutz Reitemeier arrecadado o Urso de Prata na categoria “Melhor Desempenho Artístico” pela fotografia. Já em 2017 a obra virou uma série de televisão chinesa, dirigida por Liu Huining e Liu Jin, e estrela Zhang Jiayi como o personagem principal. Além das diversas adaptações, a obra Na Terra do Cervo Branco foi listada na seleção de leitura essencial do Ministério da Educação da China para estudantes universitários, devido à sua representação ultra-realista da história chinesa. Chen tinha uma linguagem única. Em algumas de suas entrevistas é possível perceber que sua linguagem sempre foi muito aclamada pelos críticos e quando era questionado sobre essa linguagem, Chen dizia que era indispensável à conexão direta com os personagens. Em uma entrevista para a revista MCLC Resource Center da Universidade Estadual de Ohio, a entrevistadora pergunta a Chen de um momento memorável ao escrever No País do Cervo Branco (White Deer Plain - 白鹿 原) e sem dar Spoiler o autor cita um momento em que ele se envolve tão fortemente com um personagem que acaba deixando de lado sua caneta e fechando seus olhos para descansar, ao abrir seus olhos novamente escreve apenas nove caracteres em uma nota: "Nascer é sofrer, viver é sofrer, morrer é sofrer".

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