A ascensão do romance -

    Ian Watt

    Companhia das Letras
    1990
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-10: 8571641102
    Português Brasileiro

    Este é, com razão, considerado um livro clássico sobre o romance - sobre as origens e sedimentação do mais popular dos gêneros literários na Inglaterra da primeira metade do século XVIII. As razões dessa popularidade, assim como do realismo inerente ao gênero, são buscadas por Ian Watt na ascensão da classe média, no individualismo econômico, nas filosofias inovadoras de Descartes e Locke, na secularização da sociedade e nas mudanças ocorridas tanto no público leitor quanto no papel social da mulher. Sobre o autor: Ian Watt Nascido em Westmoreland, em 1917, estudou no St. John´s College, em Cambridge. Serviu na infantaria durante a Segunda Guerra, tendo sido feito prisioneiro em Singapura em 1942. Depois da guerra, retornou a Cambridge para lecionar no St. John´s College (1948-52). Ensinou também na Universidade da Califórnia em Berkeley (1952-62) e na Universidade de East Anglia, Norwich (1962-64). Em 1964 foi para a Universidade de Stanford, onde se encontra atualmente.

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    Anica Bitten17/10/2010Resenhou um livro
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    A ascensão do romance (Ian Watt)

    Não há dúvidas de que A ascensão do romance de Ian Watt é leitura fundamental para quem estuda literatura, e justamente por isso a notícia do lançamento agora em outubro da edição de bolso pela Companhia de Bolso é tão bem-vinda. Focando principalmente nas obras de Daniel Defoe, Samuel Richardson e Henry Fielding, Watt mostra em seus estudos como foi que se criou um dos gêneros mais populares de todos os tempos. Entretanto, até pela linguagem simples e direta que utiliza, o livro pode ser interessante também para aqueles que apenas gostam de literatura. Especialmente se tomarmos a ideia principal do livro, não deixa de ser curioso pensar que autores do século XVIII são apontados como os responsáveis pela dita ascensão do romance. Nossa visão moderna do gênero dá como certa a existência desse desde que o homem resolveu contar histórias, então até por nos lembrar que não foi bem assim a leitura já vale a pena. O ponto alto do livro fica por conta dos capítulos iniciais, que discute exatamente essa noção de romance e a necessidade de um certo realismo (e aqui não a escola literária, mas a filosofia proposta por Descartes e Locke) para que uma obra se enquadrasse como tal. Além disso, a questão de como a burguesia e sobretudo as mulheres foram responsáveis pelo grande espaço que o romance ganhou no mercado naqueles tempos. Nesse caso, os capítulos combinam muito bem com os conceitos de História da Leitura como apresentados por Robert Darnton em O beijo de Lamourette (também publicado pela Companhia de Bolso): fatores como economia influenciando nos hábitos de leitura. Parece estranho para nós que vivemos em tempos de vida cultural tão movimentada (a locação de um dvd ou ida a um cinema sendo práticas tão comuns), mas naqueles tempos a leitura de um livro era o que sobrava para muitos como entretenimento. E esses que se divertiam com a leitura definiram o que seria escrito naquela época. O que talvez afaste o leitor comum de A ascensão do romance é justamente o esmiuçamento das obras de Defoe, Richardson e Fielding que domina os capítulos seguintes. Aqui no mínimo uma noção anterior das obras principais desses escritores se faz necessária para acompanhar o raciocínio de Watt. Por outro lado pode funcionar para atiçar a curiosidade de quem ainda não leu Robison Crusoé, Clarissa e Tom Jones, por exemplo. No mais, ficam os elogios à editora por lançar em formato de preço mais acessível uma obra tão importante para todos os acadêmicos da área de estudos literários. É certamente o tipo de obra que gostaria de ter disponível nos tempos da graduação e por isso espero que outros títulos assim apareçam no catálogo.

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