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    O Sobrinho de Rameau -

    Diderot

    Editora Unesp
    2019
    183 páginas
    6h 6m
    ISBN-13: 9788539307982
    Português Brasileiro
    3.6
    11 avaliações
    Leram15Lendo1Querem14Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados14Avaliaram11

    "O Sobrinho de Rameau", obra que fascinou Goethe, Hegel, Engels e Freud, alcançando um status literário-filosófico de destaque na obra de Diderot, representa com maestria o ambiente cultural da Paris do começo da segunda metade do século XVIII. Em clave ágil e irônica, traz à luz discussões filosóficas caras aos iluministas e incrementa com sutileza o embate intelectual característico da época. Sempre preservando o esmero estilístico, estrutura-se assim uma resposta ampla dos enciclopedistas a seus detratores.

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    Marcos Augusto picture
    Marcos Augusto22/03/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Eu e Ele

    Um diálogo, uma discussão casual entre Eu, o narrador, filósofo, e Ele, Jean-François Rameau, sobrinho do famoso compositor Jean-Philippe Rameau. Parte de um contexto histórico muito específico, o da acusação dos anti filósofos contra os autores da Enciclopédia: Diderot, d'Alembert, Voltaire, Rousseau, os chamados Filósofos do Iluminismo. O que está em jogo nessa disputa? Irritado com a admiração que os Filósofos tinham pelo rei Frederico II da Prússia na época da Guerra dos Sete Anos, Choiseul, o primeiro-ministro de Luís XV, lança uma cabala contra eles. Choiseul acusa Diderot em 1758 de ter saqueado as tábuas de Réaumur para a Encyclopédie e plagiado Goldoni em sua peça Le Fils naturel. Os filósofos são apoiados em particular por Madame de Pompadour e Malesherbes, diretor da livraria, que finalmente obtém permissão tácita para imprimir a Enciclopédia. Fréron é o anti filósofo mais perigoso, mas é Charles Palissot, protegido de Choiseul e amigo de Voltaire, que é animado por um rancor muito particular contra Diderot. Dedica-se a “desmascarar os sofistas do tempo”. À frente da cabala antifilosófica, ele ataca particularmente Diderot como o líder da Encyclopédie. Palissot condena a intolerância dos Filósofos e seu partidarismo: “O entusiasmo pela nova Filosofia foi levado tão longe que a menor piada que alguém pudesse permitir a qualquer um de seus seguidores era tratada como um crime irremediável." Este debate marca o advento de uma nova elite que deseja desempenhar um papel nacional e cujos clãs rivais se enfrentam, cada um reivindicando distribuir glória e liderar a opinião pública. Como líder da Encyclopédie, Diderot é particularmente atacado, ridicularizado, criticado, perseguido. Ele é criticado por seu jargão, seu pedantismo. Ele promete não escrever uma palavra de retaliação, mas sua resposta mais forte será sobrinho de Rameau.

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    Denis Diderot profile picture

    Denis Diderot

    Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro[1] de 1713 — Paris, 31 de Julho de 1784) foi um filósofo e escritor francês. A primeira peça relevante da sua carreira literária é Lettres sur les aveugles a l’usage de ceux qui voient (Cartas sobre os cegos para uso por aqueles que veem), em que sintetiza a evolução do seu pensamento desde o deísmo até ao cepticismo e o materialismo ateu, tal obra culmina em sua prisão. Escreveu ainda Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (Dicionário razoado das ciências, artes e ofícios). Mas a sua obra prima é a edição da Encyclopédie (1750-1772) onde reportou toda o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. Demorou 21 anos para ser editada, e é composta por 28 volumes. Mesmo que na época o número de pessoas que sabia ler era pouco, ela foi vendida com sucesso. Denis conseguiu uma fortuna. Deu continuidade com empenho e entusiasmo apesar de alguma oposição da Igreja Católica e dos poderes estabelecidos. Escreveu também algumas outras peças teatrais de pouco êxito. Destacou-se particularmente nos romances, nos quais segue as normas dos humoristas ingleses, em especial de Sterne: A Religiosa, O Sobrinho de Rameau, Jacques, o fatalista e seu mestre. Escreveu vários artigos de crítica de arte. Foi um dos primeiros autores que fazem da literatura um ofício, mas sem esquecer jamais que era um filósofo. Preocupava-se sempre com a natureza do homem, a sua condição, os seus problemas morais e o sentido do destino. Admirador entusiasta da vida em todas as suas manifestações, Diderot não reduziu a moral e a estética à fisiologia, mas situou-as num contexto humano total, tanto emocional como racional. Seu pensamento sobre a nobreza e o clero se exprime na seguinte frase: "O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre". Com essa frase, ele quis dizer que todos os governantes e os dogmáticos deveriam ser completamente derrubados, para a humanidade ser livre. Diderot é considerado por muitos um precursor da filosofia anarquista. Alguns estudiosos acreditam que, sob inspiração de sua obra, "A Religiosa", barbáries foram praticadas contra religiosos e freiras na Revolução Francesa de 1789 com o deturpado intuito de "protegê-los" contra os crimes praticados pela Santa Sé, há ainda um suposto dossiê encontrado por Georges May em 1954, que mostra a obra A religiosa como pura ficção e não um retrato da realidade.

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    Haute-Marne, França

    Denis Diderot