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Braunne BR</b></b>
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Uma aventura sempre foi do agrado do público. Afinal, o que é mais interessante: um relato sem história de um exercício declamatório precursor de uma teoria literária maçante ou um rolé noturno pelas ruas de São Paulo? A verdade é que uma trama imaginosa e bem articulada é do gosto de qualquer leitor. E é exatamente o que mais tem nestes contos de Marcos Rey selecionados por Fabio Lucas para a coletânea do livro. São histórias extensas (o que é bom pois dá tempo de se acostumar com o conflito e com os personagens) e que compartilham 5 aspectos favoráveis a citar.
Logo nos primeiros momentos da introdução, os primeiros nós, os primeiros mistérios já entram em cena cativando a atenção do leitor. Logo em seguida, ao chegar no conflito, a história se complica. Nesse ponto surge uma curiosidade: a aventura se combina com a análise do comportamento mental do personagem. É algo parecido com aquelas narrativas psicológicas que retratam o drama da consciência. Para exemplificar, eu não poderia citar outro conto senão "Traje a rigor" - uma obra prima com ares de tragédia grega onde as forças do acaso figuram o destino tomando as rédeas da situação para decidir os acontecimentos.
Ainda no duo "aventura - narrativa psicológica", é possível eleger o ponto ideal do relato para o autor: a narração em primeira pessoa. É o que acontece na maioria dos contos. Quando acontece a narração em primeira pessoa, o personagem se mostra mais determinado, próximo ao leitor e é capaz de misturar narração com sua observação, sua filosofia de vida. Somente "Traje a rigor", "O guerrilheiro", "Sonata ao luar" e "O locutor da madrugada" são registrados em terceira pessoa e, portanto, não criam o mesmo efeito de "Eu e meu fusca" onde o protagonista parece mesmo estar conversando com o leitor. Para isso, se utiliza de gírias e coloquialismos numa conversa despretensiosa incorporada numa arquitetura verbal fascinante!
Outro ponto que acontece na narração em primeira pessoa é o humor causado quando o narrador interfere no relato de personagens secundários fazendo observações de cunho irônico ou sarcástico. Outras vezes deixa escapar adjetivos cômicos - o que sempre causa um efeito humorístico instantâneo (e não estou falando de sorriso. É gargalhada mesmo! Sem exagerar).
O último aspecto a citar, pessoalmente, não consegui conectar na linha do texto. Então declaro à esmo: os personagens são recorrentes. Ou seja, pessoas que aparecem no conto A, podem aparecer no conto B. Gianini e Otávio, por exemplo, são facilmente identificados nos contos "Traje a rigor" e "Sonata ao luar". Gianini resurge em "O guerrilheiro" ao passo que Otávio, no conto "O casarão amarelo".
O que há de mais admirável no livro é o acerto na combinação da proposta narrativa e no apuro da linguagem. Se considerarmos o lado "trama imaginosa e bem articulada" - cuja temática aqui é uma São Paulo noturna onde os personagens estão sempre prontos para uma aventura - e o lado "narrativa com densidade psicológica" - onde se situa uma análise do comportamento dos personagens - então Marcos Rey seria o vértice destes dois lados.