Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas7
    • Leitores93
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Um gato no triângulo -

    Marcos Rey

    Ática
    1995
    127 páginas
    4h 14m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    41 avaliações
    Leram59Lendo8Querem22Relendo2Abandonos2Resenhas7
    Favoritos0Desejados22Avaliaram41

    Depois que Eugênia foi viver naquela casa, Miguel não era mais o mesmo. O ódio recalcado que sentia por Rômulo tornou-se desejo de vingança. Cansado de sofrer humilhações e embalado por uma paixão cega por Eugênia – a mulher a quem Rômulo desejava-, ele decidiu mudar o rumo de sua história. Perdido na própria solidão, buscava um modo de se livrar de Rômulo. No fundo, porém, sabia que procurava mais do que isso. Buscava o impossível: livrar-se de si mesmo.

    Resenhas (7)Ver mais
    Cassionei Niches Petry picture
    Cassionei Niches Petry30/04/2021Resenhou um livro
    0

    O LEITOR NO TRIÂNGULO

    Uma das obras de Marcos Rey (1925-1999) talvez seja o primeiro livro que deixou marcas profundas neste leitor e o fez entrar de vez no mundo das Letras. Trata-se de “O mistério do 5 estrelas”, da célebre coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. Hoje o livro é editado pela Global, a mesma casa que pôs recentemente em catálogo seu primeiro romance, ou novela, como o autor preferia chamar a obra, “Um gato no triângulo”, de 1953. Na verdade, é o primeiro publicado, mas havia escrito outro romance nos anos 40, que ficou inédito até sua morte, sendo lançado postumamente: “Os cavaleiros da graça divina”. “Um gato no triângulo” prova que Marcos Rey não era só um bom contador de histórias, que seguiu uma fórmula de sucesso e a perpetuou em sucessivos recordes de venda, principalmente no âmbito da literatura infanto-juvenil, mas também na adulta, com “Memórias de um gigolô”, adaptado para uma série de TV. Agora a técnica de narração, em que os não-ditos instigam o leitor a completar as lacunas, somada à simbologia do triângulo, que logo se revela ser amoroso, prendem o leitor num enredo aparentemente banal. Miguel é um jovem que mora com seu padrinho, depois de sua mãe, a empregada da casa, morrer. O padrinho é Rômulo (seria o pai que não assumiu a paternidade?), também dono de uma banca de peixes na feira, onde Miguel é ajudante. O velho o humilha, fazendo questão sempre de dizer que sustenta o afilhado. Por isso, Miguel tem um sentimento de ódio por ele, não de gratidão. No entanto, sente-se preso no lugar por não saber fazer outra coisa senão viver à sombra do outro. É daqueles seres sobre quem Oscar Wilde diria que na verdade não vivem, apenas existem. Um dia o dono da casa resolve contratar alguém para fazer os afazeres domésticos, livrando Miguel dessas tarefas. A escolhida é Eugênia, por quem o jovem logo se apaixona. O patrão, no entanto, tem outros planos em relação a ela. A mulher, por sua vez, demonstra-se ambígua em relação aos seus sentimentos, se é que tem algum. Forma-se, então, o triângulo. O gato da casa, chamado Sultão, representa a narrativa que se esquiva do leitor, o engana, foge dele, mas o espreita, como se dissesse, me decifre, humano, ou te devoro. Ou o gato seria o leitor, acompanhando os fatos e analisando os vértices do triângulo? “Aposto que passa o tempo a estudar-me como se eu fosse um bicho misterioso, ponderou Miguel”. Há ainda um fiscal da feira, que vai aos poucos se mostrando tão misterioso como o gato e interfere na trama. O desenrolar da narrativa reserva algumas surpresas e quebras de expectativas, mas também traz um viés trágico que o leitor já espera pelas características das personagens, afinal, o que faria um homem com o coração ferido, outro que sente velho e imprestável, mas que pode comprar tudo com o dinheiro, e uma mulher que está cansada de uma vida de pobreza? “(...) eu não quero que me aconteça o mesmo que aconteceu com minha mãe e minhas irmãs. Casaram com homens pobres e apenas sofreram”. Wilson Martins, um ferrenho crítico literário, disse em uma entrevista que Marcos Rey foi um autor injustiçado, não reconhecido pela crítica. Apesar de o próprio autor desconfiar do romance, apontando hesitações, “Um gato no triângulo” é uma peça da mais alta elaboração artística, apesar do estilo direto do escritor.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 41
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas46%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Marcos Rey profile picture

    Marcos Rey

    Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Donato, (São Paulo, 17 de fevereiro de 1925 — São Paulo, 1 de abril de 1999) foi um escritor e roteirista brasileiro. Marcos foi também redator de programas de televisão, adaptou os clássicos A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo em forma de telenovela e o Sítio do Picapau Amarelo. Marcos usava sua cidade natal, São Paulo, como cenário de várias de suas obras. O autor se dedicou principalmente às obras voltadas ao público juvenil. Escreveu crônicas, contos e se destacou escrevendo romances. Escreveu também várias obras literárias adultas. Durante os anos 1970, foi roteirista de diversos filmes do gênero pornochanchada produzidos na Boca do Lixo, em São Paulo, como As Cangaceiras Eróticas e O Inseto do Amor. No gênero ficção infantil estreou com Não Era Uma Vez, drama de um garoto à procura de sua cadela perdida nas ruas. Foi também tradutor de livros em inglês, em parceria com seu irmão Mário Donato. Na década de 1990 tornou-se colunista da revista Veja, São Paulo. No ano de 1999, após voltar de uma viagem à Europa, Marcos Rey foi internado para uma cirurgia, e não resistindo às complicações, faleceu no dia 1 de abril, aos 74 anos, sem recuperar a consciência. Foi cremado, e um mês depois, sua esposa Palma Bevilacqua Donato sobrevoou com um helicóptero o centro da cidade, espalhando as cinzas do autor sobre São Paulo e realizando assim a reunião eterna de Marcos Rey com a metrópole que foi a grande personagem de toda sua obra.

    40 Livros
    32 Seguidores

    Marcos Rey