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    Um gato no triângulo -

    Marcos Rey, Marcos Rey, Marcos Rey

    Saraiva
    1953
    181 páginas
    6h 2m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    41 avaliações
    Leram59Lendo8Querem22Relendo2Abandonos2Resenhas7
    Favoritos0Desejados22Avaliaram41

    Depois que Eugênia foi viver naquela casa, Miguel não era mais o mesmo. O ódio recalcado que sentia por Rômulo tornou-se desejo de vingança. Cansado de sofrer humilhações e embalado por uma paixão cega por Eugênia – a mulher a quem Rômulo desejava-, ele decidiu mudar o rumo de sua história. Perdido na própria solidão, buscava um modo de se livrar de Rômulo. No fundo, porém, sabia que procurava mais do que isso. Buscava o impossível: livrar-se de si mesmo.

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    Cassionei Niches Petry picture
    Cassionei Niches Petry30/04/2021Resenhou um livro
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    O LEITOR NO TRIÂNGULO

    Uma das obras de Marcos Rey (1925-1999) talvez seja o primeiro livro que deixou marcas profundas neste leitor e o fez entrar de vez no mundo das Letras. Trata-se de “O mistério do 5 estrelas”, da célebre coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. Hoje o livro é editado pela Global, a mesma casa que pôs recentemente em catálogo seu primeiro romance, ou novela, como o autor preferia chamar a obra, “Um gato no triângulo”, de 1953. Na verdade, é o primeiro publicado, mas havia escrito outro romance nos anos 40, que ficou inédito até sua morte, sendo lançado postumamente: “Os cavaleiros da graça divina”. “Um gato no triângulo” prova que Marcos Rey não era só um bom contador de histórias, que seguiu uma fórmula de sucesso e a perpetuou em sucessivos recordes de venda, principalmente no âmbito da literatura infanto-juvenil, mas também na adulta, com “Memórias de um gigolô”, adaptado para uma série de TV. Agora a técnica de narração, em que os não-ditos instigam o leitor a completar as lacunas, somada à simbologia do triângulo, que logo se revela ser amoroso, prendem o leitor num enredo aparentemente banal. Miguel é um jovem que mora com seu padrinho, depois de sua mãe, a empregada da casa, morrer. O padrinho é Rômulo (seria o pai que não assumiu a paternidade?), também dono de uma banca de peixes na feira, onde Miguel é ajudante. O velho o humilha, fazendo questão sempre de dizer que sustenta o afilhado. Por isso, Miguel tem um sentimento de ódio por ele, não de gratidão. No entanto, sente-se preso no lugar por não saber fazer outra coisa senão viver à sombra do outro. É daqueles seres sobre quem Oscar Wilde diria que na verdade não vivem, apenas existem. Um dia o dono da casa resolve contratar alguém para fazer os afazeres domésticos, livrando Miguel dessas tarefas. A escolhida é Eugênia, por quem o jovem logo se apaixona. O patrão, no entanto, tem outros planos em relação a ela. A mulher, por sua vez, demonstra-se ambígua em relação aos seus sentimentos, se é que tem algum. Forma-se, então, o triângulo. O gato da casa, chamado Sultão, representa a narrativa que se esquiva do leitor, o engana, foge dele, mas o espreita, como se dissesse, me decifre, humano, ou te devoro. Ou o gato seria o leitor, acompanhando os fatos e analisando os vértices do triângulo? “Aposto que passa o tempo a estudar-me como se eu fosse um bicho misterioso, ponderou Miguel”. Há ainda um fiscal da feira, que vai aos poucos se mostrando tão misterioso como o gato e interfere na trama. O desenrolar da narrativa reserva algumas surpresas e quebras de expectativas, mas também traz um viés trágico que o leitor já espera pelas características das personagens, afinal, o que faria um homem com o coração ferido, outro que sente velho e imprestável, mas que pode comprar tudo com o dinheiro, e uma mulher que está cansada de uma vida de pobreza? “(...) eu não quero que me aconteça o mesmo que aconteceu com minha mãe e minhas irmãs. Casaram com homens pobres e apenas sofreram”. Wilson Martins, um ferrenho crítico literário, disse em uma entrevista que Marcos Rey foi um autor injustiçado, não reconhecido pela crítica. Apesar de o próprio autor desconfiar do romance, apontando hesitações, “Um gato no triângulo” é uma peça da mais alta elaboração artística, apesar do estilo direto do escritor.

    4 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 41
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas46%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
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    Edmundo Donato

    Autor de vários livros, entre eles romances policiais ambientados em São Paulo. Edmundo Nonato, seu nome verdadeiro, nasceu no bairro do Brás em 17 de fevereiro de 1925, filho caçula de um empresário gráfico de formação presbiteriana. Entrou em contato com a literatura pela obra de Monteiro Lobato, impressa na gráfica do pai. Terminou o curso clássico aos 18 anos e, quando se preparava para ingressar na Faculdade de Direito, foi acometido por lepra e recolhido no Sanatório Padre Bento, em Guarulhos, em regime de prisão. Em 1946 fugiu a pé para o Rio de Janeiro, onde viveu entre o subúrbio e a zona de prostituição da Lapa. A experiência serviu de subsídio para obras como "O enterro da cafetina" (1967) e "Memórias de um gigolô" (1968). Sobreviveu de traduções de livros infantis e de cartas que escrevia para prostitutas analfabetas. Voltou para São Paulo, curado da lepra, e em 1953 publicou seu primeiro livro, "Um gato no triângulo". Assinou 30 roteiros de cinema, entre eles várias pornochanchadas. Em 1967 fez sua primeira telenovela, "O grande segredo". Escreveu capítulos para o programa infantil "Vila Sésamo' e é um dos responsáveis pela adaptação do "Sítio do Picapau Amarelo" para a televisão. Na década de 80 iniciou sua obra infantojuvenil a pedido da Editora Ática, pela qual publicou sucessos de venda como "O mistério do Cinco Estrelas" e "O rapto do Garoto de Ouro". Morreu em São Paulo, no dia 01 de abril de 1999, de câncer no fígado. Suas cinzas foram lançadas de um helicóptero pela sua esposa sobre São Paulo.

    50 Livros
    339 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Edmundo Donato