Agô -

    Jocevaldo Santiago

    Editora Segundo Selo
    2019
    53 páginas
    1h 46m
    ISBN-13: 9788594489067
    Português Brasileiro

    Primeiro livro de poemas do jovem Jocevaldo Santiago

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    Valdeck Almeida de Jesus10/11/2019Resenhou um livro
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    Licença, Jocevaldo Santiago. Agô/Reverência a esse Poeta!

    Estar em um ponto d "...o caminho antes, durante e depois de mim..." da apresentação de Agô, o primeiro livro de Jocevaldo Santiago, enumerando referências, encontros e conversar literárias, na abertura dessa obra, me faz sentir alegria e felicidade, agradecimento ao respeito que esse jovem poeta tem pelo caminhar. Ser citado nesse compêndio de poesia transmoderna me dá vida! Me fortalece pelo afeto, aumenta minha fé na criatividade da poesia de quebrada, e aqui, quem pede licença e reverência, sou eu! Certamente este é o primeiro passo/livro solo, em papel, no formato tradicional, objeto em que se guardam impressões de vida. Mas a poética de Jocevaldo não é de hoje, nem de ontem. Remonta batidas ancestrais, memórias das quais, (re)percutem agora, mas vêm de longe, de muito longe, cujos sons últimos foram ouvidos/sentidos nas batidas da Tática Prática da Poesia, grupo do qual faz parte, com Leandro Mota e Adalmi Chabi. A Poesia de Jocevaldo já nasce madura, com nome e sobrenome, com estilo, lugar de (re)existência, personificada e também em busca de corpos/ouvidos/retinas para se re(produzir) em multiplicidades de sentidos. Agô nos presenteia com reflexões sobre Peles Negras, Máscaras Brancas; os lados perversos de uma cidade que cresce vertiginosa e encurrala pretos/pretas em morros; a esquiva na esquina pra se livrar do racismo da branquitude; os usos da língua portuguesa; o racismo geográfico da senzala à favela; a denúncia da colonização na economia, religião, moda, costumes e cultura; nossa vida de bois, ruminando ideias/ideais e sonhando com a comida/revolução/ideal na boca repetida do outro boi que teoriza/idealiza pra não morrer de inanição/sem esperança; o estado/criminoso/racista rasgando peles pretas; a crítica literária que cospe na cara de pretos/pretas/escritores(as) apartando estética estilo cultura saberes ancestrais; "que se lasque o leitor", se esse leitor for prostituto racista/elitista/escravagista; porque n'A Diáspora das Estrelas "a episteme / é Nagô/ Keto / Jeje" e "sob / o manto da / noite / a escrita que ilumina é negra". O poeta/pai/autor de Agô nos convida para o agora, para a Ágora do pé de Jurema, pra experimentar o ser/não ser poeta/poesia, e, em um transe atemporal, onírico, descobrirmos que as mães são azuis, transbordar olhos, e aportarmos no poema-continente-África! África! África! E nos reanima, renova, inspira, rejuvenesce, nos dá chama de vida e fé pra prosseguir o caminho e conquistar as liberdades, de crença, de respeito, vida digna! __ Valdeck Almeida de Jesus é jornalista, escritor e poeta.

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