O subterrâneos da Liberdade - II - Agonia da noite

    Jorge Amado

    Editora Martins
    1974
    299 páginas
    9h 58m
    ISBN-10: 8533204256
    Português Brasileiro

    "Os Ásperos Tempos", "Agonia da Noite" e a Luz no Túnel" constituem uma trilogia na qual,sob o título geral " Os Subterrâneos da Liberdade", o autor tentou trazer um panorama da vida política brasileira nos anos do Estado Novo.Nas suas cinco primeiras edições foi esta trilogia publicada em 3 volumes,como um único romance.Para maior comodidade dos leitores resolveu o Editor brasileiro das Obras de Jorge Amado' dar - lhe a forma atual de 3 volumes,ligados pelo título geral da trilogia,atendendo assim,aliás,a idéia inicial do autor.

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    Rafaela Coutinho05/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    AGORA O BICHO VAI PEGAR

    Jorge Amado nunca escondeu suas ideologias políticas, e é possível notar, mesmo nas obras de sua fase modernista, a crítica ferrenha as desigualdades sociais, principalmente ao que tange os trabalhadores sem terra. Os subterrâneos da Liberdade, trilogia que se inicia com Os Ásperos Tempos, segue em Agonia da Noite e se finaliza em A Luz do Túnel, vai contar a história do Brasil na Ditadura de Getúlio Vargas, em especial, durante o Estado Novo, que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. São obras completas, que mostram vários núcleos e POV's; desde a burguesia paulista até a luta do Partido Comunista do Brasil, muito perseguido por Vargas. É um livro extremamente político e partidário, e SIM meus amigos, Jorge Amado era um dos intelectuais que compunham o PCB, ao lado de Graciliano Ramos e o arquiteto Óscar Niemeyer (inclusive, tem um personagem que foi inspirado nele nos livros). Mas o fato de não ser um livro "neutro", não o torna MENTIROSO, apenas um pouquinho tendencioso. De qualquer forma, compramos muito a imagem de Getúlio "pai dos pobres", criador da CLT e do Ministério do Trabalho, mas em um dia o Presidente jantava com líderes sindicais, no outro entregava nossas riquezas aos americanos e no outro, saudava Hitler, Franco e Mussolini... Uma verdadeira contradição, para dizer o mínimo. Um dos pontos que aplaudi de pé, foi Amado ter trazidos personagens femininas extremamente importantes para o enredo; Manuela e Mariana. Manuela, uma moça simples de família humilde mas que em uma determinada fase de sua vida, se envolveu com a elite paulista e teve seu coração partido pelo irmão e homem que amou, já Mariana, sempre viveu em meio a luta operária e com a morte do pai, assumiu seu lugar no PCB se tornando peça chave para os planos e decisões do partido. Duas mulheres incríveis e que em meio a dor da perda, o destino as uniu, as tornando grandes amigas! Uma visão interessante, do outro lado da história, que foi brutalmente reprimida e que teve que se esconder, nos Subterrâneos da Liberdade.

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