A obra é continuação de outro romance (Pedra Bonita). Não sabia e fiquei perdido na leitura, que desse jeito não despertou empolgação. O livro tem um roteiro direcionado, captado na obra anterior, e não se dispõem a apresentações sistemáticas das personagens, tratadas já com familiaridade ao leitor.
Na percepção do romance, com os aspectos que ressoam do primeiro, acredito que a proposta é de retrato da terra, do sertão, do cenário que impacta e transforma o homem, onde afloram reações extremadas, como o fanatismo religioso na primeira obra e o cangaço nesta. Em julgamentos alheios à realidade vivenciada, equívocos clichês são comuns, daí o valor do autor, que traz a percepção desse mundo impactante, transformador e estimulante em faces diversas para o homem, o sertanejo, como de fato era.
Já li histórias referentes à Pedra Bonita, onde o fanatismo deu espaço até para sacrifícios de inocentes, culminando num conflito hediondo. Não sei como é no livro, mas essa segunda parte faz supor.
O romance tem duas partes, com enfoque à Sinhá Josefina na primeira, vivendo o flagelo de um mundo hostil e sedutor para o banditismo a seus filhos, o cangaço, onde dois (Aparício e Domício) enveredam nesse caminho, e outro (Bento) encontrando escape do que aparentava destino com posicionamento no amor à mãe e por Alice. A história enfatiza o banditismo cercando, influenciando e atraindo no que seria comum destino, como se fosse o escape para diversas aflições.
Na segunda parte, o cangaço está presente em histórias diversas e revoltantes. Existem muitas perversidades e o autor não se ausenta em mostrar, desmistificando direcionamentos clichês de banditismo romantizado. No cenário ferrenho, vemos Bento e sua valorização pelo amor à Alice.
É uma terra para muitos de oito ou oitenta, assim no apego religioso e na busca de escape (o cangaço?).
Singularidade interessante da obra é também a valorização do linguajar regional, com passagens em que o autor solta o verbo no coloquial chulo, em determinados momentos até agressivo, sem reservas.
Vale o registro também que várias personagens dão as caras, em faces comuns no meio, reforçando a percepção do contexto.
Não me diverti na leitura, que valeu mais pelo mergulho em determinado momento histórico e suas peculiaridades.