Sombras da Romãzeira (Quinteto Islâmico #1) -

    Tariq Ali

    Editora Record
    1992
    284 páginas
    9h 28m
    ISBN-10: 8501049964
    Português Brasileiro

    Tariq Ali captura os últimos momentos do esplendor da Granada muçulmana - em 1502, os reis católicos assinaram um decreto de conversão que impedia a prática dos hábitos e da religião muçulmana - , mostrando uma cidade multicultural na qual cristãos, mouros e judeus tentavam conviver em paz. Uma história de radicalismo secular e intolerância que ajuda na compreensão das crises contemporâneas, como as da Iugoslávia, de Israel e do Iraque. O autor explica por que escolheu u cenário histórico para seu livro: "Muito já foi escrito sobre o tratamento doentio contra os judeus em diversos períodos da civilização, mas a fé dos muçulmanos permanece escondida na história".

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    jota 1119/02/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Queimando livros e pessoas

    Por volta de 1500 Granada (em árabe Garnata) era uma cidade multicultural, na qual cristãos, mouros e judeus tentavam conviver em paz. Mas em 1502, os reis Fernando e Isabel assinariam um decreto de conversão (ao catolicismo, claro), o que impedia a prática dos hábitos e da religião muçulmana. Livros árabes contendo séculos de cultura e sabedoria foram recolhidos das bibliotecas de Granada e queimados. É claro que os mouros não receberam essas notícias com alegria, não? Sombras da Romãzeira é algumas vezes até divertido de se ler (por conta de dois irmãos de idades bem diferentes, Zuair e Yazid), mas não é muito fácil lembrar o nome de todos os personagens - eles são muitos e em sua maioria, árabes. Acho que o autor percebeu isso e no início do livro há uma árvore genealógica dos Banu Hudail para o leitor não se perder com esses nomes todos até que eles se tornem familiares. Até mesmo o nome de localidades espanholas, quando conhecidas por seus nomes muçulmanos, necessitam às vezes que se consulte o glossário que há no final do livro para se saber de quem se trata - Ixibilia é Sevilha, Balansia é Valência, Kaxtalla é Castela, etc. Outra coisa: quase todas as histórias (quase todas elas sobre a família Hudail, seus parentes e agregados) são contadas através de diálogos enormes em vez de narração e se você não ficar atento pode perder alguma coisa. Por volta do capítulo 10 (são 13 ao todo mais o epílogo) a história fica um pouco mais interessante por conta de um romance entre dois personagens com traços e personalidades marcantes (ela, Hind, irmã de Zuair e Yazid; ele, o cariota, habitante do Cairo, Ibn Daud) e prossegue interessante até o final. É quando ocorre uma sangrenta batalha entre mouros e cristãos pelo domínio de Granada. Como Granada é uma cidade espanhola e não moura você pode imaginar o arraso que sofreu – engraçado é que você fica torcendo pelos árabes (eu fiquei; mas isso é ficção) mesmo sabendo como tudo iria acabar. Sobram poucos personagens vivos e já que esta é uma série de quatro livros chamada Quinteto Islâmico (então deveriam ser cinco livros, não?) alguns deles devem retornar nos outros volumes, não sei. (Lido entre 19 e 25.02.2012).

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