http://cristinalasaitis.wordpress.com/2010/01/09/leituras-de-2009/
Aqui Michio Kaku (o físico e cosmólogo vivo mais pop depois de Stephen Hawking) conta a evolução da física na compreensão da natureza do espaço-tempo rumo à teoria de todas as coisas.
Em síntese, nos dois últimos séculos a física tem encontrado as equações de campo para as forças da natureza: Maxwell as descreveu para o eletromagnetismo, Einstein para a gravidade, Yang-Mills para força nuclear fraca e forte. A “teoria de tudo” da física prevê a unificação de todas essas equações em um único corpo, capaz de unir teorias tão estranhas entre si como a relatividade e a mecânica quântica – um “Santo Graal” da física que Einstein morreu procurando e que os físicos da atualidade talvez estejam perto de descobrir.
A história é contada a partir da matemática de Riemman, passa por Einstein e a escola de Copenhagen (os físicos quânticos), pelos cálculos geniais de Srinivasa Ramanujan, e segue descrevendo o modelo de unificação de Kaluza Klein, chegando à superssimetria, gravidade quântica e à teoria das supercordas.
A teoria das supercordas descreve um universo com 10 ou 26 dimensões e é baseada em uma matemática que, segundo Michio Kaku, parece coisa do século XXI descoberta por acidente no século XX. É difícil compreender forças como a gravidade através da nossa visão tridimensional, mas ao acrescentarmos novas dimensões, as forças tornam-se consequências da geometria do hiperespaço – que é onde as forças se unificam e se explicam matematicamente. O que faz a teoria das supercordas tão atraente é que ela é uma peça chave que parece se encaixar com praticamente todas as descobertas pregressas da física.
É um assunto complexo, destrinchado em detalhes pela didática milagrosa do autor. Em termos de divulgação científica para leigos, Michio Kaku é muito mais aprofundado do que Stephen Hawking jamais ousou, e qualquer leigo de boa vontade é capaz de entender perfeitamente os conceitos abordados no livro.
É um livro que pretendo eventualmente reler. Leitura obrigatória para as pessoas que têm um desejo sincero de entender o universo, de onde ele veio, para onde ele vai, numa área em que a ciência e a filosofia são tão próximas que poderíamos chamá-las de uma-só teoria.