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    Assassino Branco (Trilogia Berlim Noir #02) -

    Philip Kerr

    Record
    2001
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-10: 8501053937
    Português Brasileiro
    3.7
    42 avaliações
    Leram65Lendo1Querem44Relendo0Abandonos2Resenhas4
    Favoritos1Desejados44Avaliaram42

    Em Berlim, um ano antes da Segunda Guerra Mundial eclodir, Bernie Gunther, ex-tira que deixou a polícia e se tornou investigador particular por discordar do nazismo, leva tranqüilamente sua vida, solucionando casos de judeus desaparecidos. Até que um chefão do governo o intima a voltar à ativa e a descobrir o responsável pela série de violentos seqüestros e assassinatos de garotas alemãs arianas que poderia detonar antecipadamente o massacre dos judeus.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva01/03/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    SÓ COM MUITO CINISMO PARA SER UM BOM DETETIVE EM UMA NAÇÃO DE ASSASSINOS

    Gostei demais desse livro, que me pegou totalmente de surpresa. São muitas camadas possíveis de leitura e reflexão que podemos fazer, e isso em uma história de suspense arrebatador, que nos faz virar compulsivamente as páginas. “Assassino Branco” é o segundo volume da trilogia “Berlim Noir”, do escritor escocês Philip Kerr. Foi realmente um achado a ideia de ambientar tramas policiais noir na Alemanha Nazista. Nesse volume dois estamos no ano de 1938, pouco antes da infame “Noite dos Cristais”, que de certa forma dá o mote do enredo. Kerr surpreende na vívida reconstrução histórica, que nos faz vivenciar o ambiente progressivamente asfixiante do nazismo em ascensão, com a perspectiva da guerra cada vez mais iminente e a banalização da violência, da truculência, da estupidez arrogante. O detetive Bernie Gunther é outro achado. Mesmo contra a vontade, ele prospera nos círculos da polícia nazista, por possuir uma qualidade rara nesse meio: a inteligência. E para defender a própria sanidade, ele se vale da ironia, do sarcasmo e do cinismo. O que nos brinda com tiradas como: “Ter muito dinheiro não é garantia de bom gosto, mas pode tornar sua falta muito mais óbvia.” E aí chegamos aos assassinatos, que são especialmente brutais para conseguir chamar a atenção em uma época de tanta brutalidade: belas adolescentes arianas são encontradas mortas após um ritual de tortura que sugere ritos satânicos. Convocado para deslindar os crimes, Gunther se empenha de corpo e alma na missão, mesmo questionando a ambiguidade moral de perseguir um assassino em uma nação que exalta e celebra o assassinato: “Qual a importância de mais um psicopata entre tantos?” Em outras palavras, como estabelecer os imprescindíveis limites entre “certo” e “errado”, que nos definem como humanidade, quando a maioria das pessoas (ou ao menos das pessoas em posições de poder) defende as maiores vilanias como atos de heroísmo e a canalhice como sinônimo de virtude? Essas reflexões suscitadas por um romance ambientado na Alemanha de 1938 não deixam de evocar um espaço-tempo bem mais recente: esse parágrafo poderia estar muito bem descrevendo o Brasil de 2018. E aí nos deparamos com essa pérola, que para mim sintetiza o brilho de “O Assassino Branco”: “A vida é apenas uma batalha para manter uma pele civilizada.” Ainda tive um ganho a mais com essa leitura, que quero registrar aqui. Em dado momento, fiquei impressionado com a finesse da construção da trama, unindo diversos elementos colocados no início do livro às complexas consequências que afloram no final. E pensei, cheio de admiração: “Deve ter dado um trabalho e tanto escrever esse livro.” Pois bem, pouco depois me vi entretido em solicitar a criação de imagens por meio da Inteligência Artificial, e notei um curioso fenômeno: os desenhos, belíssimos, foram progressivamente me causando tédio. Isso me deu um vislumbre de nossa interação com as obras criadas por IA em um futuro próximo: à medida em que seu uso for se banalizando, ficaremos cada vez mais indiferentes e apáticos diante de uma arte destituída por completo de sua “aura” (no sentido dado por Walter Benjamin). Veremos. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2024/03/so-com-muito-cinismo-para-ser-um-bom.html

    27 curtidas

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    3.7 / 42
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
    Philip Kerr profile picture

    Philip Kerr

    Philip Kerr é um escritor britânico de origem escocesa que vive atualmente em Londres. Estudou Direito na Universidade de Birmingham e fez um Mestrado em Jurisprudência, embora viesse a abandonar a carreira jurídica para se dedicar à publicidade como copywriter. Em 1989 deixa esta profissão e torna-se jornalista em regime freelance. Entretanto inicia a sua carreira literária com o livro «Violetas de Março», seguido dos restantes livros da série: «O Criminoso Pálido» e «Um Requiem Alemão». Em 1992 publica «Um Assassino Entre os Filósofos», ao qual se sucedeu «Dead Meat» (1993), «Gridiron» (1995), «Esaú» e «A Five Year Plan» (ambos em 1996). As suas obras encontram-se já traduzidas em mais de 25 línguas, e os direitos de muitos deles vendidos ao cinema e à televisão. Em 1993 foi nomeado um dos mais destacados jovens romancistas britânicos.

    15 Livros
    6 Seguidores

    Philip Kerr