O Amante de Lady Chatterley (Os imortais da literatura Universal #33) -

    D. H. Laurence

    Abril
    1972
    345 páginas
    11h 30m
    ISBN-13: 9788617048806
    Português Brasileiro

    Pelo papel que conferiu à paixão amorosa, às vezes em meticulosas descrições do amor físico, o britânico D. H. Lawrence causou polêmica em sua época, porém mais tarde passou a ser visto como um dos maiores renovadores da prosa de ficção no século XX. Em 1928, radicado em Florença, Lawrence publicou seu mais célebre romance, O Amante de Lady Chatterley, que conheceu sucessivas proibições e cujo texto integral só veio a público em 1959, em Nova York. A obra recria as relações entre uma aristocrática inglesa, seu marido (paralítico em conseqüência da guerra) e seu guarda florestal: ao mesmo tempo em que defende a liberdade sexual, ataca frontalmente as convenções sociais. O romance desenvolve o tema do conflito entre a imperiosa exigência do sexo e a serenidade do amor.

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    Régis Maz27/12/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro que diz mais do que parece à primeira vista...

    Um livro polêmico lançado em 1929 pelo autor, (um ano apenas antes de sua morte) já que a pirataria de sua obra o obrigou a fazer significativas modificações no manuscrito original. Um livro que em 1960 foi processado judicialmente para que não fosse publicado no país de origem do autor (a Inglaterra) e que também foi proibido nos E.U.A. Um livro que até hoje ainda é mal visto por várias pessoas pelo mundo, mesmo sendo considerado um clássico. Porém o mais importante (na minha opinião) é que D. H. Lawrence não escreveu apenas um livro sobre sexo e traição, considero O Amante de Lady Chatterley uma história bem escrita com um desenvolvimento sucinto e empolgante que faz vários apontamentos importantes sobre assuntos pertinentes. Lawrence, que acometido pela tuberculose sabia que lhe restava pouco tempo, considerou o livro como seu testamento. Talvez por isso nele se percebe uma carga de tristeza, de desesperança, finitude, rancor e desprezo pela sociedade. Considero impossível fazer essa leitura focada apenas no romance entre Connie e Mellors, que sim: é o ponto central do livro, é explicitamente gráfico e tem alguns problemas que consigo identificar, como a inabilidade de Lawrence de entender e descrever o prazer feminino e algumas falas problemáticas dos personagens de Clifford, seus amigos e de Mellors. Vejo no romance bem mais que sexo, considero que os personagens travam uma fuga da solidão a que foram impostos pelas circunstâncias da vida e protagonizam um romance mergulhado em medos, incertezas, desalento e com uma carga enorme de melancolia. A explicitação do sexo ao meu ver, foi feita exatamente para chocar e calar o puritanismo de uma sociedade hipócrita, reprimida e dissimulada. A temática abordada por Lawrence é uma pregação acalorada contra a sociedade de sua época e sobre a ignorância sexual. Entretanto o livro também habilmente é usado para criticar o sistema socioeconômico da Inglaterra, mostrar todo o impacto da Primeira Grande Guerra (naqueles que sobreviveram e em seus familiares), o impacto das máquinas inseridas no mercado de trabalho dos ingleses e a transformação no meio ambiente causada por elas. "A qualidade do horror de Lawrence diante do que acontecia a seu país, a sensação que transmite, certamente nos lembra alguém muito semelhante — Tolkien. Sabemos que as visões do inferno de Tolkien foram inspiradas pelo que viu na Primeira Guerra Mundial, e as “oficinas negras e satânicas” de Blake nunca foram mais bem imaginadas que na filmagem de O senhor dos Anéis." Gostei muito da escrita do autor e da forma como a história é desenvolvida. O Amante de Lady Chatterley carrega uma grande força literária que considero impossível não impactar o leitor de alguma forma. Gostei da leitura e recomendo que as pessoas leiam com a mente aberta e tirem suas próprias conclusões.

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