Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições2
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas54
    • Leitores924
    • Similares19
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    O tempo em Marte -

    Philip K. Dick

    Aleph
    2020
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788576574743
    Português Brasileiro
    3.6
    251 avaliações
    Leram334Lendo26Querem554Relendo0Abandonos10Resenhas54
    Favoritos11Desejados554Avaliaram251

    O ano é 1994 e a humanidade finalmente chegou a Marte. As pessoas da Terra lutam para se estabelecer em um mundo árido e inóspito enquanto a ONU decide o futuro da colonização. O técnico de manutenção Jack Bohlen está há dez anos no planeta vermelho e leva uma vida rotineira até se envolver nos planos de um inescrupuloso líder sindical, que usa de sua influência e de seu dinheiro para ganhar vantagens em seus negócios em Marte. Esse homem ardiloso contrata Bohlen para ajudá-lo a se comunicar com um garoto esquizofrênico e introspectivo que parece ter a habilidade de prever o futuro. O tempo em Marte, de Philip K. Dick, é uma trama de poder e ambição que questiona os valores humanos e a natureza da realidade.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (19)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (54)Ver mais
    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes11/02/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Deslizamento de Tempo em Marte

    Quem lê o título deste livro (e nunca leu nada do PKD) logo deve pensar que se trata de uma sci-fi padrão, que fala da colonização de Marte e tem homenzinhos verdes. Ledo engano! Marte é apenas o cenário que Philip K. Dick usou para ambientar sua história e, sob essa base, ele se aventura a falar sobre diversos temas como percepção de tempo, doenças mentais, especulação imobiliária, relações conjugais, preconceito, colonialismo, pedagogia, eugenia... Acreditem, o autor fala sobre tudo isso e muito mais. Mas, dentre todos esses tópicos, eu diria que o objetivo central é tratar sobre a apatia para com próximo. Vou tentar dar detalhes sobre isso mais adiante. Mas vamos ao contexto: publicado originalmente em 1963 na revista Worlds of Tomorrow de forma serializada e sob o título de "All We Marsmen" e depois em forma de romance em 1964 com o título "Martian Time-Slip", deslizamento de tempo marciano ao pé da letra ... E este título original faz jus à história, que trata o tempo não de forma romantizada (como em De Volta Para o Futuro, por exemplo), mas como algo que a tudo consome. E, para um personagem do livro, o jovem Manfred Steiner, o tempo colapsa sobre ele, como um deslizamento de terra. "Então, a percepção de tempo dessa criança é como a semente. Entendo. As coisas que nós conseguimos ver se mexendo passam zumbindo tão rápido por ele que são praticamente invisíveis, e aposto que ele enxerga processos lentos como o dessa semente aí. Aposto que ele consegue sair para o quintal e ficar sentado assistindo às plantas crescerem, que cinco dias para ele são como dez minutos para nós, talvez. " (Pág 172) Em um planeta Marte colonizado pela ONU, vive Jack Bohlen, um reparador de equipamentos eletrônicos que vive com a mulher e o filho, que foi viver no planeta vermelho após um episódio de surto de esquizofrenia. "O que o atormentava desde o episódio de psicose envolvendo o gerente de recursos humanos na Corona Corporation era isto: imagine se não fosse uma alucinação. Imagine se o gerente de recursos humanos fosse do jeito como ele o vira, uma composição artificial, uma máquina igual a essas de aprendizado. " (Pág. 110). Em determinado ponto, seu caminho acaba cruzando com o de Arnie Kott, talvez o personagem mais odioso já criado por Dick, um sujeito que preside a Companhia Regional de Funcionários das Águas. Como a água é um item essencial para a colonização e muito raro, Kott acaba sendo uma figura influente em Marte. Ele é o tipo de pessoa que dá tapinhas nas costas de todos, mas enxerga as pessoas ao redor apenas como objetos para atingir seus objetivos pessoais. Kott descobre que haverá um empreendimento gigantesco em uma parte aparentemente inútil do planeta vermelho e contrata Bohlen para tentar se comunicar com um garoto autista de 10 anos, que Kott descobre ter a "dádiva" de ver o futuro. Entre aspas mesmo, pois PKD nos joga dentro da cabeça de Manfred e a forma que o garoto vê o mundo é simplesmente assustadora: tudo ao seu redor possui formas distorcidas e putrefatas. Ele vê em tempo real todas as coisas e pessoas sofrendo as deteriorações do tempo, que para ele tem uma forma de substância negra que em sua inocência ele chama de "Nhaca". "Nhaca, pensou ele. Ficou pensando, será que nhaca pode significar tempo? A força que, para o garoto, significa decadência, deterioração, destruição e, por fim, morte ? A força que opera em todos e por toda parte do universo? " (Pág. 184). Manfred é assombrado pela visão de si próprio, idoso, preso a uma cama de um hospital destinado a inválidos, localizado exatamente onde haverá o empreendimento imobiliário visado por Kott. Jack tenta ajudar o garoto que, inconscientemente, acaba afetando a sua esquizofrenia. Basicamente, este é o plot central. Para preencher a história e deixá-la mais densa, Dick trata do relacionamento de Jack e sua esposa Sylvia, e de como ambos entram em relacionamentos extraconjugais; conta sobre o sistema de ensino marciano e de como eles empregam robôs como professores de suas crianças; conta sobre o povo Bleek, os nativos do planeta Marte, nômades, pacatos e extremamente educados, que falam a estranhos colonizadores coisas como: " As chuvas que emanam da sua maravilhosa presença nos revigoram e nos restauram, senhor. " (Pág. 307). Aqui entra minha única crítica ao livro: eu gostaria muito de conhecer mais a respeito dos Bleek. "Esses nativos nômades e acometidos pela pobreza sempre apareciam nas fazendas em busca de comida, água, apoio médico ou, as vezes, só uma boa esmola, e nada parecia irritar mais os prósperos donos dos laticínios do que ser usados por essas criaturas de cujas terras eles tinham se apropriado." (Pag. 48). No decorrer da história vamos conhecendo mais sobre eles, que são os únicos seres que conseguem, por exemplo, se comunicar com Manfred. Aparentemente, eles enxergam o tempo da mesma forma que o garoto, inclusive conduzindo a história do livro a medida que incitam Kott a fazer uma "viagem mística" com Manfred com destino a um ponto sagrado dos Bleek, a pedra negra chamada Vil Nodosa, que possui uma gruta dentro dela. "Aposto que foram eles que deram a feiticeira da água para Jack. Claro. E ao darem-na para ele, já sabiam de tudo. Sabiam de tudo o que estava por acontecer, mesmo lá atrás, no princípio de tudo. " (Pág. 300). Esta viagem resulta na morte de Kott pelas mãos de um desafeto de negócios, na salvação de Jack, que provavelmente seria assassinado por Kott (em uma alucinação na Vil Nodosa, ele tenta atirar em Jack, mas um Bleek o atinge no coração com uma flecha envenenada) e, principalmente, resulta na acolhida de Manfred pelo povo Bleek, mesmo ele sendo um filho de colonizadores, o aceitam entre eles, o que acaba salvando o menino daquele futuro tenebroso. A maioria dos finais das histórias do PKD sempre possuem um sabor amargo, um clima soturno e são abertos, mas não aqui. Todos os arcos dos personagens são fechados e o final tem um tom de esperança e beleza: Jack e sua esposa admitem um para o outro suas traições e acabam escolhendo dar uma segunda chance ao casamento; Manfred retorna, no próprio tempo da história, idoso e cheio de aparelhos eletrônicos, junto com os Bleek: "Jack Bohlen - a coisa foi pigarreando, e sua voz saía de um alto-falante mecânico, no meio daquelas máquinas, e não de sua boca -, vim até aqui para dizer adeus à minha mãe. - E fez uma pausa, ao que Silvia ouviu o aparato acelerando, como se tivesse trabalhando muito. - Agora posso lhe agradecer - disse o velho homem. " (Pág. 313). Achei esse um dos finais mais bonitos dentre os livros do PKD que já li. Quero destacar o tema central do livro, na minha opinião e que eu já mencionei anteriormente: a apatia do ser humano para com o próximo. A apatia aparece inicialmente no relacionamento de Jack e Sylvia; aparece no tratamento dado aos Bleek; aparece na forma como as pessoas percebem as doenças mentais como algo do que se envergonhar. Só citando alguns exemplos. Por fim, gostaria de observar que "Tempo em Marte" acaba sendo uma espécie de livro irmão de "Androides Sonham com Ovelhas Elétricas", que também trata de apatia, neste último caso, mostrando como os humanos da história aparentam ser menos humanos (com o perdão da redundância) do que os androides. Além disso, em "Androides..." nos é mostrado que a imigração para Marte é estimulada pelos meios de comunicação. E se ambas as histórias se passaram no mesmo universo? Os replicantes (não lembro se no livro eles usam esse termo), inclusive, poderiam ser uma evolução dos robôs educadores de "Tempo em Marte". TS: King Gizzard and the Lizzard Wizard - Ice, Death, Planets, Lungs, Mushrooms and Lava (2022), Changes (2022) e Live in San Francisco '16 (2020)

    183 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 251
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas4%
    Philip Kindred Dick profile picture

    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick