O Caminho do Samurai -

    Inazo Nitobe

    Pé da Letra
    2019
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788595202009
    Português Brasileiro

    Justiça, coragem, lealdade, autocontrole: as qualidades essenciais dos guerreiros samurais do Japão são as que todos nós aspiramos. Nesta obra clássica, Inazo Nitobe explora o código moral da classe guerreira japonesa, desde a importância dos rituais de polidez até o apavorante supremo autossacrifício: haraquikiri ou o suicídio. O texto emocionante convoca um mundo de princípios cavalheirescos e guerra brutal: um mundo evanescente, mas que possui ressonância na sociedade japonesa moderna e ao redor do mundo.

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    João Fernando25/08/2024Resenhou um livro
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    O Caminho do Samurai

    Inazo Nitobe faz uma compilação do que seria o código de ética dos samurais, conhecido como Bushido. O livro foi escrito para os ocidentais, não atoa o idioma original de publicação é o inglês, como uma forma de explicar os costumes japoneses para o Ocidente. Para isso, Nitobe se mostra um grande conhecedor da cultura e dos clássicos ocidentais e em toda sua obra faz paralelos dos costumes japoneses apresentados com costumes ocidentais, mostrando que há estrutura de pensamento comum entre ambos e que alguns dos costumes japoneses não são tão "estranhos" como costumam soar para nós. Em suma, o que o Cavaleiro representava como ideal elevado de nobreza na Europa feudal, o Samurai é para o Japão feudal. Outro fator interessante nesta obra vem da perspectiva de Nitobe do Bushido como uma lei escrita por Deus no coração dos japoneses, seguindo o argumento do Apóstolo Paulo em Romanos 2:15. Nitobe era cristão, assim em alguns pontos ele busca conciliar alguns desses ensinamentos com os ensinamos de Cristo, mostrando que há uma grande afinidade entre eles. (Essa relevação geral de Deus em diferentes povos e nações é o que mais tarde um outro autor chama de "Fator Melquisedeque"). Agora se tratando da historicidade da obra, importante levar em consideração algumas coisas. Pesquisando mais sobre a história do Japão e analisando os samurais, pude perceber que na prática eles não eram bem dessa maneira. Em períodos como Sengoku podemos notar muita instabilidade política no país, inúmeras guerras, crueldade, traições aos senhores e genocídios entre os próprios japoneses. Já no período Edo, do Xogunato Tokugawa, houve uma perseguição sistemática e cruel aos cristãos japoneses como uma forma de acabar com o que eles consideravam ser influência Ocidental no Japão. Eu diria que como em toda religião ou nação, há exemplos bons e ruins e também há os estereótipos. E na hora de recontar a história tudo depende de onde você foca a narrativa. Neste caso o Nitobe sistematiza o Bushido, que é um código moral elevado, e em nossa cabeça pode criar um estereótipo japonês que pode não condizer com a realidade, ou pelos menos com grande parte dela. Mas ainda assim podemos ver parte desses ensinamentos enraizados neste povo. A obra também pode servir como uma maneira de "inventar ou reinterpretar uma tradição já existente, sob uma nova ótica para beneficiar o surgimento de concepções nacionalista" e divulgação da cultura japonesa no ocidente. Havendo uma capitalização do passado como uma forma de gerar uma empatia dos ocidentais para com os valores japoneses e fortalecer a identidade nacional diante da ocidentalização da Era Meiji. Por fim, considero a obra relevante para melhor entender a cultura e costumes japoneses, bem como para trazer e aplicar esses valores em nossas vidas. P.S.: Achei a leitura em alguns momentos difíceis. Não sei se foi da tradução ou da obra original, ou se dos dois, mas muitas palavras eram de um português rebuscado que nem lendo Machado de Assis eu tive essa dificuldade kkkk. Também há muitas referências a obras e acontecimentos do ocidente que o autor usa para fazer os paralelos e pressupõe que nós como ocidentais vamos entender e assim compreender melhor, porémmmm não é bem assim kkkk. Por vezes isso também dificultou a leitura. O autor sendo japonês, "dá um tapa na nossa cara" demonstrando grande conhecimento sobre a cultura ocidental.

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