O Conto Ídiche -

    J. Guinsburg

    PERSPECTIVA
    1966
    482 páginas
    16h 4m
    ISBN-11: 852730502x_
    Português Brasileiro

    Seleção descontos de alguns dos principais nomes da literatura ídiche. Fruto de uma língua que se originou a partir da diáspora, que fez com que os judeus passassem a conviver com duas realidades lingüísticas diferentes, a do local onde viviam e da sua tradição, o ídiche é uma mistura de alemão e hebraísmos, que acabou enfraquecendo com o ressurgimento do hebraico no século XX. A obra oferece uma introdução que apresenta um panorama que mostra como essa literatura se desenvolveu, além de uma pequena introdução sobre cada autor selecionado.

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    Henrique Luiz Fendrich03/07/2019Resenhou um livro
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    Uma experiência das mais enriquecedoras

    Uma experiência das mais enriquecedoras tive ao ler “O Conto Ídiche”, antologia de 1966. Aprendi muito sobre a literatura feita pelos judeus e sobre seus ritos e tradições. Essa não é uma obra que se proponha a converter alguém, e pode-se até mesmo encontrar contos que criticam certos costumes associados à religião. São, sim, contos que geralmente enfocam pessoas de uma cultura específica, mas a leitura é agradável inclusive para os que não compartilham dela. E há contos completamente universais, como é o caso da pérola “Ela era feia”, de David Pinski, uma das coisas mais belas e mais tristes que já li na vida. A obra abrange o período do Nazismo e, por isso, também expõe algumas das histórias terríveis por ele produzidas. O grande destaque é “Cristo no gueto”, de Scholem Asch, conto que evidencia as diferenças entre judeus e cristãos, mas, sobretudo, como os nazistas se beneficiavam dessas disputas. Por fim, mesmo sendo judeu, o autor usa o “sobrenatural” de Jesus para aproximar judeus e cristãos contra o inimigo comum. Boa parte dos escritores desse livro foi morta durante a guerra. São russos, poloneses e lituanos, muitos deles imigrados aos Estados Unidos. A sedução da imigração para a América, inclusive, é abordada lindamente em “A caminho do novo mundo”, de Itzhok Metzker. E há ainda outra grande joia que merece ser ressaltada: “Minha querela com Hersch Rasseiner”, de Haim Grade, um conto filosófico, praticamente sem ação, mas muito interessante, porque um judeu “fanático” e um judeu “secularizado” discutem a identidade e o comportamento do judeu na sociedade, isso logo após o término da guerra. É realmente uma disputa de argumentos e a tolerância parece sair fortalecida. Apenas uma das escritoras do livro é mulher, mas é justamente uma que imigrou ao Brasil: Rosa Palatnik. Há um livro próprio voltado ao conto ídiche no Brasil, que também quero ler. Em suma, tive muitas boas e gratas surpresas.

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