"Lima deveria ter sido um dos autores mais lidos da literatura nacional e leitura obrigatória nas listinhas indigestas dos vestibulares da vida, em vez disso, acadêmicos e professores universitários babões teimam em ignorar a excelência da sua obra..."
Por Elenilson Nascimento
Sempre tive os meus problemas pessoais com o Lima Barreto. Sempre o achei um metido a coitadinho que se dizia admoestado pelo sistema (“Ainda e sempre: sem dinheiro”) – culpa das minhas fracas aulas de literatura nos tempos de colégio e, posteriormente, no curso de Letras na UCSAL. Depois de muito tempo e após muitas leituras, descobri que tenho muito mais em comum com o autor de “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” – além dos meus cabelos rebeldes vindos da África.
Lima deveria ter sido um dos autores mais lidos da literatura nacional e leitura obrigatória nas listinhas indigestas dos vestibulares da vida, em vez disso, acadêmicos e professores universitários babões teimam em ignorar a excelência da sua obra, pois, mesmo eles não gostando muito, ela sintetiza muito bem as posições polêmicas e ainda atuais sobre a vida, a literatura, as mazelas e iniqüidades sociais do nosso país de faz-de-conta. E, talvez por causa disso, minha opinião com relação a esse escritor carioca que gostava também do Ruy Barbosa tenha mudado completamente.
Recentemente fui presenteado com o livro “Um Longo Sonho do Futuro” do Lima e acabei deixando outros da minha lista de prioridades para depois - só para me jogar nos diários, cartas, entrevistas e confissões (muitas vezes nada elegantes) desse problemático-delicioso, num desconcertante retrato da vida brasileira no início do século passado. “Se o crítico tem razões particulares para não gostar do autor, cabe-lhe unicamente o direito de fazer, com a máxima serenidade, sob o ponto de vista literário, a crítica do livro” – disse o Lima numa das suas inúmeras cartas.
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http://comendolivros.blogspot.com/2010/01/um-longo-sonho-de-futuro.html