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    Ova completa -

    Susana Thénon

    Jabuticaba
    2019
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788593478185
    Português Brasileiro
    3.5
    5 avaliações
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    Nascida em Buenos Aires no ano de 1935, a poeta Susana Thénon foi contemporânea de Alejandra Pizarnik e Juana Bignozzi, e publicou cinco livros de poemas, sendo esta Ova completa (1987) o último e o mais diferente de todos. Nos seus primeiros livros, predominou a voz lírica da Thénon leitora e tradutora de Rilke. Neste último, por outro lado, nota-se a presença de uma poética cheia de subversão em relação ao cânone literário, ao machismo, à autoridade, e aos elementos que constituem certa noção de argentinidade – nos seus poemas estão embutidas paródias de famosos tangos argentinos. Quando cursava Letras na Universidade de Buenos Aires, Susana se divertia traduzindo tangos ao latim, adiantando a irreverência da sua poesia, que não hesita em aproximar cultura erudita e popular. É Strauss que vira, em seu jogo de palavras e non sense, o neologismo estrusse, passando antes por estresse e strass. É a Valsa lírica e dançante – precisa-se de dois para dançar? e quais dois? – que se transforma em uma crítica ao patriarcado. A poeta demonstra desconfiar de certo tratamento acadêmico dado à escrita de mulheres que buscaria enquadrar as experiências femininas dentro de limites controláveis, servindo, muitas vezes, para reforçar estereótipos: “estou na Argentina com uma bolsa / da Putifar Comission / para fazer uma antologia / de escritoras em vias de desenvolvimento / desenvolvidas e também na menopausa”. A criatividade linguística de Thénon procura desmontar o que parece estável; o que parece ter sentido claro e garantido. A necessidade da crítica literária em delimitar gerações, escolas e estilos também a incomodava. A sua paródia é demolidora: “todas as que escreveram e escreverão na Argentina / já pertencem à geração de 60 / inclusive as que estão no berçário / e inclusivissimamente as que estão no asilo”. A crítica a certos modos de representatividade acena para a necessidade de defender a complexidade da luta feminista. Não por acaso a poeta escolhe abrir esta Ova completa com as perguntas de “por que grita esta mulher”, poema que tem sido lido em voz alta pelas manifestantes do movimento “Ni una menos” na Argentina. Pouco se sabe da vida da autora, que preferia não participar de reuniões sociais e literárias. Susana Thénon sempre foi reservada quanto a sua homossexualidade, embora tenha vivido grande parte de sua vida ao lado da coreógrafa e bailarina Iris Scaccheri. Em um dos poemas memoráveis deste livro, entretanto, ela escreve: “Sem seus ocos nos meus ocos / sem suas sombras nas minhas / sem dedos com que batucar / o tambor da agonia // se você dormisse em Ramos Mejía / amada minha / que confusão seria”. Thénon é direta e, talvez por isso, mais claramente política do que outras poetas de sua geração. É alguém que tem algo urgente a nos dizer; mas o faz sempre de forma inesperada.

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    Berttoni Licarião10/07/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Leitura 43 de 2021 Ova completa [1987] Susana Thénon (Argentina, 1935-1991) Jabuticaba, 2019, 136 p. Trad. Angélica Freitas Li o “Ova completa” para o sexto encontro do clube de leitura de poesia do @literaturabr e fiquei duplamente encantado. Por um lado, pela edição da Jabuticaba que, muito acertadamente, apresenta os poemas primeiro na tradução de Angélica Freitas (!!!) e, em seguida, em suas versões originais em espanhol. Por outro, pela oportunidade de conhecer esta escritora (que foi contemporânea da já-amada Alejandra Pizarnik) lésbica, fotógrafa, tradutora e vanguardista que faz de sua poesia um lugar de desmonte das certezas dos lugares da mulher, da criação e da política. A erudição de Thénon é desconcertante, beirando um hermetismo que talvez seja contextual ou intencional, mas que de uma forma ou de outra exige leitura atenta. Em inúmeros momentos, percebe-se a ironia e o enfado de certa impostação acadêmica masculina e excludente que a poeta consegue muito bem subverter, apresentando tanto sua própria visão dos saberes e fazeres poéticos, quanto atribuindo voz (com muito sarcasmo) às visões reducionistas dos países do Norte sobre os países do Sul: “estou na Argentina com uma bolsa / [...] para fazer uma antologia / de escritoras em vias de desenvolvimento / desenvolvidas e também na menopausa / embora saibamos que seja como for / todas as que escreveram e escreverão na Argentina / já pertencem à geração de 60 / inclusive as que estão no berçário / e inclusivissimamente as que estão no asilo”. O poema de abertura é, por si só, um resumo do que esperar deste seu último livro publicado em vida: “por que grita essa mulher? / por que grita? / por que grita essa mulher? / sabe-se lá”. O grito e a insistência, o grito e apagamento, o grito e o ressurgimento da palavra “mulher”, o grito e o dar de ombros parecem fazer parte desta poética feita com muito humor, mas com olhos, ouvidos e coração atentos aos constrangimentos do cânone e de seu comparsa, o patriarcado. #susanathenon #edicoesjabuticaba #poesiaargentina #leiamulheres #lgbtqia #lgbt

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    Susana Thénon

    Poeta, tradutora, ensaísta e fotógrafa artística, Susana faz parte, junto com Alejandra Pizarnik e Juana Bignozzi, da chamada geração de 60, muito embora não tenha feito parte de nenhum grupo ou movimento literário. Sua relação com os poetas de sua geração é quase nula, salvo exceções como Maria Negroni, que mais tarde compilou seus livros póstumos La Morada Imposible I y II, e Alejandra Pizarnik, com quem publicou na Revista Literária Agua Viva, nos anos 60 e uma de suas poucas amigas. Não publicou nada entre 1970-82, anos em que se dedicou ativamente à fotografia, embora continuasse escrevendo.

    4 Livros
    3 Seguidores

    Susana Thénon