# Vá cuidar da sua vida
Bom, conheci Pablo Marçal há algum tempo, quando ele resolveu se candidatar à presidência do Brasil. Após a cassação da candidatura por motivos burocráticos, ele desapareceu e ficou muito ausente das mídias (pelo menos para mim). De vez em quando, pareciam alguns posts e vídeos aleatórios dele no meu feed das redes sociais. Através daqueles vídeos, percebi que ele era um homem bem obstinado e que mantinha opiniões bem adversas à normalidade social atual. A partir daí, comecei a consumir mais conteúdo dele, mas, claro, de forma gradual. Me limitei a um post aqui, outro ali.
Tive o primeiro contato com as obras dele, e os títulos me chamaram muito a atenção, pois são títulos bem sucintos. Eu, particularmente, gosto desse tipo de narrativa. Além disso, aprecio livros curtos (desde que bem desenvolvidos). Os problemas apareceram quando cheguei à metade desse livro... Acredito que Pablo tenha uma boa intenção com as palestras e cursos que oferece ao seu público. Entretanto, as coisas começam a ficar estranhas quando nos deparamos com tópicos e frases muito desconexos da realidade, contendo principalmente frases de procedência duvidosa e sensacionalistas. Arrisco dizer que grande parte desse livro é estruturada com base nos ensinamentos de livros com o mesmo nicho.
Outra coisa que analiso é a desenvoltura do autor quando tenho acesso a mais produções dele além da literatura. Como mencionei, consumia alguns vídeos do Pablo. Percebi que, embora tenha uma boa intenção por trás de tudo, ele exagera em inúmeros pontos e prega o conceito de meritocracia irremediável. A meritocracia é importantíssima para que haja incentivo à produção, mas quando a colocamos acima das pessoas, ela passa a ser um conceito covarde. Sou um defensor da ideia de que devemos saber separar o artista de suas obras quando um deles contraria nossos valores inegociáveis.
Costumo fazer essa separação e fiz no caso desse livro. Entretanto, percebi que o livro dele é uma extensão de suas produções externas. O livro, por ser bem curto, não entrega muitas opiniões necessárias para que possamos fazer um julgamento de valor, mas as produções externas entregam até demais. Nos vídeos do Marçal, encontrei ideias que estão bem distantes da realidade e também outros problemas, como colocar o mindset, o networking e outras práticas disseminadas por esse pessoal, acima das pessoas, acima da qualidade de vida. Há um trecho de uma palestra em que um homem diz que perdeu a esposa, quebrou uma empresa e que estava lutando contra o luto de sua mãe, que havia falecido no mesmo dia. O mais incrível é que NINGUÉM se opôs ao fato de ele ter faltado ao velório da própria mãe para ir a uma palestra sobre negócios.
Portanto, a junção de ideias duvidosas, conselhos estranhos e linhas de conduta que abomino veementemente fazem com que eu não consiga levar esse livro a sério. Não consigo tratá-lo como uma produção inovadora, como algo que tem o intuito de contribuir para a sociedade. Ele, é claro, tem ensinamentos valiosíssimos, mas isso não está no livro, e sim, em suas palestras. Sinto que ele escreve livros para, no fim, fidelizar vendas. Não posso negar que tirei vários aprendizados disso tudo, mas, como a maioria se limitou à produção externa, não posso abranger tudo e ignorar os inúmeros pontos negativos que, inclusive, pesam mais do que os positivos.