The Body Artist -

    Don DeLillo

    Picador
    2011
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9780330524957

    The Body Artist begins with normality: breakfast between a married couple, Lauren and Rey, in their ramshackle rented house on the New England coast. Recording their delicate, intimate, half-complete thoughts and words, Don DeLillo proves himself a stunningly unsentimental observer of our idiosyncratic relationships. But after breakfast, Rey makes a decision that leaves Lauren utterly alone, or seems to. As Lauren, the body artist of the title, becomes strangely detached from herself and the temporal world, the novel becomes an exploration of a highly abnormal grieving process; a fascinating expose of 'who we are when we are not rehearsing who we are'; and a rarefied study of trauma and creativity, absence and presence, isolation and communion.

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    Manoel Alves16/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ‘’The Body Artist’’ mudou a minha vida. Li sua tradução, publicada no Brasil pela Companhia das Letras, como ‘’A Artista do Corpo’’, alguns anos atrás, e mesmo achando a tradução canhestra (desajeitada, elíptica, mas não ruim), sabia — sentia — que havia algo especial ali. Ler o livro no original apenas serviu para corroborar meu pensamento. A obra conta a história de Lauren Hartke, casada com Rey, que após a morte do marido, logo nos capítulos iniciais, decide viver por um tempo na casa de praia que possuem. Lauren pratica o body art. Assim como Marina Abramović, para usar um exemplo mais tangível, ela usa a si mesma para explorar as possibilidades físicas e mentais do corpo, do ‘’ser’’, humano. Em tal performance, o artista é objeto e palco. O corpo é utilizado para sublimar sua noção de comunicador de ideias, meio de expressão. Arte não apenas conceitual, vide Marcel Duchamp, mas, nesse caso, literalmente viva. Os acontecimentos começam a ficar nebulosos quando, numa manhã, Lauren encontra, em um dos inúmeros quartos da casa, um homem. Ela não sabe quem é. Não sabe como ele entrou ali e por quanto tempo está naquele cômodo. Aquele individuo deixa Lauren extremamente perturbada; ele desarranja a lógica das coisas. O homem, de modo sinistro, aparenta ser extremamente velho e, ao mesmo tempo, jovem; sua fisionomia é, simultaneamente, elusiva e alusiva. Ele não tem nome, ou não quer dizer, não sabe como dizer. Talvez não saiba o que ‘’nome’’ significa. Quando, finalmente, diz algo, tropeça nas palavras como uma criança e, Lauren percebe depois, são apenas fragmentos de conversas da própria Lauren. O intruso é capaz, em semelhante desalinho, de imitar o corpo dela, seus movimentos diários, inconscientes. O que me cativou em ‘’The Body Artist’’ foi a verve com que DeLillo, vencedor do National Book Award por ‘’Ruído Branco’’, trata sua sintaxe. Assim como o intruso na casa de Lauren, ele utiliza adjetivos, à primeira vista, incoerentes; posiciona advérbios como verbos. DeLillo, aqui, encara o oficio do escritor tal qual a própria Lauren faz de seu corpo objeto de arte: distende as palavras, flexibiliza, comprimi; efetua um conjunto de exercícios musculares na narrativa. DeLillo, assim como Henry James, James Joyce e Henry Green, entende que linguagem é poder dentro de uma narrativa. A linguagem é a narrativa, não apenas uma ‘’forma’’ para o ‘’tema’’, mas, também, o tema em si. Estética é ética.

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