Contos sem pretensão -

    Guimarães Júnior

    Três
    1974
    202 páginas
    6h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Publicado em 1872, este livro contém algumas obras curtas do autor. Obra da série "Obras Imortais da nossa literatura"

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    Maria Carolina picture
    Maria Carolina17/12/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O detox sobrenatural: Porque um encosto assombra bem menos que a chatice do naturalismo.

    Nessa altura do campeonato, eu já estava esperando qualquer coisa, menos uma obra com um terrorzinho para variar a monotonia, e foi exatamente isso que ganhei! Que alívio absoluto. Depois de tantos dramas domésticos e maridos insuportáveis, mergulhar em contos de mistério com aquela carinha de Brasil antigo, com cheiro de casarão mal-assombrado e lendas urbanas de época, foi revigorante. Sinceramente, eu amei cada página dessa surpresa sobrenatural que finalmente quebrou o ciclo de adultérios da coleção. O livro é uma reunião de três contos marcantes do autor. O primeiro, "A alma do outro mundo", conta a história da jovem Florzinha e o mistério que envolve sua morte prematura e as aparições que perturbam a paz dos vivos; é aquele tipo de história que nos faz olhar por cima do ombro. O segundo conto, "O último concerto", fala sobre Salustiano, um músico obcecado cujo talento parece estar ligado a forças que ultrapassam a compreensão humana, culminando em uma apresentação final arrepiante e fúnebre. Por fim, o terceiro conto, "O homem e o cão", foca em Paulo Maurício e na relação estranha e quase mística com seu animal, explorando temas de fidelidade, culpa e sombras que nos perseguem até onde a luz não alcança. Ter algo divertido e instigante para ler foi um grande respiro. Depois de tantos romances densos, depois de tanto Naturalismo focado em doenças e desvios morais, e depois de tanta chateação com personagens medíocres, esse toque de fantasia e suspense foi um bálsamo. É uma leitura que flui, que te prende pela curiosidade e pelo medo do desconhecido, e não pela raiva que você sente do protagonista. Foi prazeroso ver a literatura brasileira de época explorando o fantástico e o macabro de forma tão competente, sem precisar de teses científicas para explicar cada batida de porta. Sobre a classificação indicativa, eu diria que é para maiores de 14 anos. O motivo dessa escolha reside na atmosfera sombria, nos temas de morte, aparições fantasmagóricas e o clima de suspense psicológico que pode ser um pouco impressionante para leitores muito jovens. Não há uma violência gráfica gratuita, mas o terror aqui trabalha na sugestão e no mórbido, o que exige uma certa maturidade para apreciar a beleza do "arrepio" literário. Apesar de ter sido maravilhoso ler contos de terror com a nossa temática brasileira, senti que essa escolha chegou um pouco tarde demais na coleção. Estou calejada demais, cansada demais de tantos volumes seguidos de dramas realistas... talvez eu tivesse aproveitado melhor esse frescor se ele tivesse vindo no quarto ou quinto mês de leitura. Pelo padrão de como as histórias parecem ser escolhidas pelo curador (aquele hiperfoco estranho que já discutimos), estou achando que o próximo livro seguirá nessa temática de mistério ou terror. Tomara que sim, porque agora meu espírito de leitora despertou para o que há de mais sombrio!

    6 curtidas

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    Avaliações

    3.6 / 8
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