Foi uma leitura intensa e, sem dúvida, uma vivência impactante. Logo no início da leitura, percebe-se que esta não é uma leitura leve, e os temas abordados desafiam o leitor, levando a um desconforto. Tive alguns gatilhos que me fizeram refletir sobre a narrativa. O mangá retrata uma realidade crua e visceral, com a visão íntima e autêntica da vida da escritora. Os relatos são genuínos e transmitem uma série de reflexões e sentimentos difíceis de articular. Fiquei admirada com a coragem de Nagata por compartilhar informações tão pessoais e complexas, abrindo-se de forma honesta e corajosa.
A escrita é ágil, fácil de ser absorvida de um só fôlego, mas isso não deve ser confundido com uma experiência leve ou confortável. Pelo contrário, as reflexões apresentadas são profundas e algumas perturbadoras. Considero essencial reconhecer a influência da cultura japonesa na obra, mas também perceber como os temas abordados transcendem fronteiras culturais, questionando-nos sobre questões sociais que ressoam em diferentes culturas, raças e etnias.
Outra reflexão relevante diz respeito à pressão social relacionada ao sucesso profissional e à ilusão de uma vida perfeita até os 30 anos. Nós precisamos aprender a respeitar o tempo de cada um e o nosso próprio tempo e processo de desenvolvimento, em vez de ceder às expectativas impostas pela sociedade. Apesar da brevidade, é uma leitura enriquecedora que instiga uma profunda autorreflexão.