Dead Kennedys - Fresh Fruit for Rotting Vegetables [os primeiros anos]

    Alex Ogg

    Ideal
    2014
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8562885312
    Português Brasileiro

    Dead Kennedys Fresh Fruit for Rotting Vegetables [os primeiros anos] Alex Ogg [Edições Ideal, 2014] Por Marcelo Viegas* A batida tribal, o baixo ameaçador, a guitarra fantasmagórica e finalmente a voz sarcástica que anuncia “I am Governor Jerry Brown”. Era um verdadeiro chamado para a batalha: um botão de alerta que, quando acionado, invertia os papéis da sociedade. Garotos populares para trás, desajustados para frente! Doce – e barulhenta – vingança dos rejeitados, tímidos, feios, nerds, punks, skatistas, enfim, de todos aqueles considerados “diferentes”. Esse épico começo de “California Über Alles”, reconhecível a quilômetros de distância, foi incorporado não apenas ao imaginário daquela geração que cresceu pulando com esse som: como um vírus, penetrou no sangue de todo e qualquer punk que nasceu nos anos seguintes. Corrigindo: décadas seguintes. Lá se vão 34 anos desde o lançamento de Fresh Fruit for Rotting Vegetables, o primeiro e clássico álbum do Dead Kennedys. A edição nacional, em vinil branco, saiu pela gravadora Continental com seis anos de atraso e tornou-se um item sagrado para a juventude brasileira. Era tocado em festas, emprestado (com certo temor) para amigos, gravado em fitas K7, disputado a tapa em lojas quando o pôster estava intacto! Três décadas depois e quase nada mudou: as faixas do Fresh Fruit ainda animam muitas festas, ninguém gosta muito de emprestar esse disco, ele ainda marca presença em playlists ou mixtapes, e o LP com o pôster continua valendo o dobro do preço nas feirinhas de vinil. A influência do Dead Kennedys é atestada pela longevidade. Fresh Fruitpermanece atual. Assim, o recorte histórico do escritor Alex Ogg é muito bem-vindo. Com a contextualização dos primeiros anos da banda e o acompanhamento minucioso do processo de composição e gravação do debut, o autor britânico consegue estabelecer um pouco de consenso numa história que é marcada por brigas, disputas judiciais e egos inflamados/feridos. É tarefa árdua (quase impossível) lançar algo que agrade todas as partes envolvidas nesse caso. E Alex Ogg conseguiu – com paciência e muito jogo de cintura, mas conseguiu (inclusive ele enumerou no apêndice o número de aspas atribuídas à cada um dos integrantes, para “provar” que todos tiveram a chance de defender a sua versão). Tretas à parte, a obra vai agradar os fãs, não apenas pelos depoimentos e fatos levantados, mas também pela riqueza gráfica: o livro é todo ilustrado com as artes de Winston Smith, o homem responsável pelo emblemático logo do DK e um dos grandes nomes na técnica da colagem punk, e com as fotografias de Ruby Ray, que estava agachado na beira do palco do Mabuhay Gardens, no fim dos anos 70/começo dos 80, registrando a efervescente cena punk que nascia em San Francisco. Mergulhe nas páginas desse livro e entenda com mais clareza o papel- chave do DK na transformação da retórica punk em algo genuinamente ameaçador – e incrivelmente divertido. *Marcelo Viegas é o editor brasileiro do livro e, orgulhosamente, um dos desajustados que pulava feito doido toda vez que ouvia “California Über Alles” numa festa nos anos 80.

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    Maurício Knevitz picture
    Maurício Knevitz06/11/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um presente para os fãs

    Apesar da tradução da edição brasileira não ser das melhores, este livro é um verdadeiro presente aos fãs e cumpre com maestria aquilo que se propõe a fazer: mapear um histórico dos primeiros anos do Dead Kennedys, das origens da banda até a saída do baterista original Ted. O livro é constituído basicamente de depoimentos dos ex-integrantes da banda, fãs e pessoas que tiveram envolvimento direto ou indireto com os Kennedys, relatando shows, turnês, processos de gravação, composição, conceitos e ideias adotados pela banda. Como não poderia deixar de ser, há uma constante troca de farpas entre Jello Biafra e Ray e Klaus, mas não chega ao nível da choradeira insuportável e não torna a leitura irritante. Além disso, a edição da Ideal, apesar de pecar um pouco na tradução, tem uma arte gráfica muito bonita, com várias artes de Winston Smith, o artista que criou o logo do DK e fez diversos trabalhos gráficos para a banda e até hoje trabalha junto com Jello Biafra. Um presente para os fãs de Dead Kennedys e hardcore em geral.

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