Não há surpresa, para mim, ao debruçar-me nestas 70 páginas, que o grande fator de bagunça seja o capitalismo. O objetivo do livro, veja bem, não é tentar converter a mente do leitor para alguma ideologia, muito pelo contrário: é mostrar a realidade escondida, que não vem-nos à mente, de uma criança de 14 anos que, violentamente, puxa uma faca e ameaça a senhora que está saindo do supermercado, pegando suas compras e fugindo. De escondida, essa vista só é para quem é cego para ela. Nos jornais vemos opiniões diárias, mediante a situação antes apresentada, de alguém que sequer sabe o que é a fome. Mas, afinal, por quê?
O que leva uma criança que deveria estar na escola, no auge do seu oitavo ano do fundamental II, preocupado-se com seu aprendizado sobre as orações subordinadas e coordenadas, ou, até mesmo, sobre o cálculo da área de uma circunferência, à essa rotina violenta?
Mas, também, por que não falam e combatem o porquê da taxa de suicídio? Já no ano de publicação do livro, 1986, em minha versão, já era alta, referente aos trabalhadores desempregados, protagonistas desse ato infeliz, intitulados, por uma sociedade egoísta e infame, "vagabundos".
O que permite a sociedade não reconhecer o seu próximo, ou, até mesmo, conhecê-lo, entender o que passa em sua vida? Quem influencia o povo brasileiro?
Os presidentes realmente podem fazer tudo pelo povo? Seriam eles os verdadeiros "salvadores da pátria"? Ou é a classe operária, ao expor seu peito ao vento forte de repressão nas ruas, para bradar por reajustes de salário e melhorias de vida?
O livro traz questionamentos e responde-os, em diálogo direto com o leitor. Quem quiser arriscar, prometo que não irá perder nada com ele.