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    Dias perfeitos

    Raphael Montes, Raphael Draccon

    Editora Companhia das Letras
    2014
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788580869583
    Português Brasileiro
    3.8
    1108 avaliações
    Leram1912Lendo142Querem1167Relendo5Abandonos33Resenhas351
    Favoritos39Desejados1167Avaliaram1108

    Sombrio e claustrofóbico, Dias perfeitos narra uma história de amor obsessivo e paranoico que consolida Raphael Montes como uma das mais gratas surpresas da literatura nacional. Aos 20 anos, o carioca Raphael Montes impressionou crítica e público com Suicidas, um caudaloso romance policial que lhe garantiu vaga entre os dez finalistas do prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante. Após ler seu primeiro livro, Scott Turow, um dos autores policiais de maior prestígio no mundo, disse que Raphael está "entre os mais brilhantes ficcionistas jovens" da atualidade. "Ele certamente redefinirá a literatura policial brasileira e vai surgir como uma figura da cena literária mundial." Agora, aos 23 anos, ele lança seu segundo livro, Dias perfeitos, romance que confirma seu talento e certamente vai expandir sua já considerável cota de fãs. O protagonista do livro é Téo, um jovem e solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e dissecar cadáveres nas aulas de anatomia. Num churrasco a que vai com a mãe contrariado, Téo conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Clarice está escrevendo um road movie de nome "Dias perfeitos". O texto ainda está cru, mas ela já sabe a história que quer contar: as desventuras de três amigas que viajam de carro pelo país em busca de experiências amorosas. Téo fica viciado em Clarice: quer desvendar aquela menina diferente de todas que conheceu. Começa, então, a se aproximar de forma insistente. Diante das seguidas negativas, opta por uma atitude extrema: desfere um golpe na cabeça dela e, ato contínuo, sequestra a garota. Elabora então um plano para conquistá-la: coloca-a sedada no banco carona de seu carro e inicia uma viagem pelas estradas do Rio de Janeiro - a mesma viagem feita pelas personagens do roteiro de Clarice. Passando por cenários oníricos, entre os quais um chalé em Teresópolis administrado por anões e uma praia deserta e paradisíaca em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita: Téo a obriga a escrever a seu lado e está pronto para sedá-la ou prendê-la à menor tentativa de resistência. Clarice oscila entre momentos de desespero e resignação, nos quais corresponde aos delírios conjugais de seu sequestrador. O efeito é tão mais perturbador quanto maior a naturalidade de Téo. Ele fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas decisões com lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante - e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, digno dos melhores thrillers da atualidade.

    Resenhas (351)Ver mais
    Canoff picture
    Canoff18/04/2024Resenhou um livro
    0

    Mais um livro do Raphael com final ruim... (SPOILER)

    Há mais de um mês, tenho enfrentado tentativas fracassadas de encontrar um livro que me tire da ressaca literária, que me prenda por alguns minutos na leitura. Na minha estante e no meu Kindle, há vários livros do meu interesse, mas não adiantou. Tive que adiar a leitura de uma dezena de livros para, finalmente, lembrar dos escritos do Raphael. No início foi difícil, mas resisti na leitura e não me arrependi. Foi uma boa experiência, para variar. Todas as resenhas direcionadas aos livros do Raphael mantêm o mesmo grau de qualidade. Assim como todos os livros que li desse autor, o enredo é bem construído, os diálogos são extremamente envolventes, os personagens são únicos na história, e a forma como o enredo é desenvolvido faz muita diferença na leitura. Uma das principais características dos livros de Montes é o desenvolvimento gradativo e meticulosamente calculado. Raphael sabe discorrer sobre acontecimentos e transitar entre os personagens. Já encontrei livros que caminham na direção oposta a isso, tornando a leitura uma experiência supérflua e um pouco confusa, já que as transições nesses livros costumam ser "jogadas" e passam a ideia de que o autor escreve dando cortes e pulando etapas da história. Embora "Dias Perfeitos" seja um bom livro, não posso deixar de evidenciar os pontos negativos. Como dito anteriormente, o desenrolar dos livros é bom, o enredo é envolvente, a narrativa cativa o leitor, mas, ao mesmo tempo, Raphael peca muito nos finais. Já li a maioria dos livros dele e nenhum teve um bom desfecho. Nenhum me passou a sensação de história finalizada, pois normalmente, ficam muitas pontas soltas, muitas incongruências, muitos detalhes irreais que passam despercebidos, inclusive, os enredos que, além de todas essas desvantagens, se mostram confusos e inacabados. Não tento adivinhar os plots, pois sempre caio em dois caminhos: ou a reviravolta é surpreendente e impensável; ou é totalmente irreal e deixa pontas soltas que nos fazem pensar que o livro não foi bem pensado. Dentre as incongruências e irrealidades da narrativa, posso listar algumas. O problema começa no início do livro quando Téo sequestra Clarice. A forma como ele transita com a garota, a forma como ele a esconde no próprio quarto, a sorte que ele tem no livro INTEIRO não passa uma sensação real. A atitude das pessoas em volta, a atitude das mães perante ao sumiço dos filhos, a chegada de Clarice ao hospital também é totalmente irreal. Os policiais que resgataram ambos do acidente não notam as marcas de tortura no corpo de Clarice? Não notam os objetos usados por Téo para controlar Clarice? Ao chegarem no hospital, os médicos não notam o nível de sonolência, a quantidade de acessos intravenosos ou outros detalhes que um corpo que foi amarrado por meses a fio apresenta? Mais uma vez, termino um livro do autor e fico com uma sensação de que não acabou.

    71 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 1108
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas2%
    Raphael Montes profile picture

    Raphael Montes

    Nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas (Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do prêmio Benvirá de Literatura 2010, do prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prêmio São Paulo de Literatura 2013.

    33 Livros
    7.25 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Raphael Montes