Acredito que o maior erro desse livro foi o fato de ter sido lançado como continuação de “Me chame pelo seu nome”. Se tivesse iniciado a leitura sabendo que era (na grande e absoluta verdade) apenas uma extensão do final que já havia sido estabelecido na obra anterior, jamais teria dado a nota que dei.
A escrita lírica e poética de André Aciman permanece com alta perfeição e isso foi o ponto crucial para me fazer continuar adiante. Fora isso, fiquei o tempo todo me questionando se realmente precisávamos de um segundo livro. Na primeira parte da história, me senti lendo uma versão do filme “Antes do amanhecer”, ainda mais pelo fato do casal se conhecer em uma viagem de trem. Já as outras duas últimas partes dedicadas a falar sobre o cotidiano pessoal de Elio e Oliver, tentei por demasiadas vezes encontrar uma conexão entre elas e simplesmente não achei.
Elio dedicou bons bocados do seu tempo a resolver (quase de forma obsessiva) o passado de um suposto judeu, o que me deixou angustiado já que, ao contrário do personagem, eu não queria fazer parte ou acompanhar tal investigação.
Quando finalmente chagamos a Oliver, tive a última esperança de receber algo sólido, mas na altura do campeonato ficou muito claro que Aciman não queria um desenvolvimento prolongado desse personagem e no meu ponto de vista, limitou-se a contar toda a angustia contida dentro Oliver de forma rápida, apenas como uma justificativa de que precisava colocá-lo de alguma forma no contexto do livro. Ficou muito claro que a dedicação de escrita para Samuel e o Elio foi bem mais dedicada e estruturada, do que a vez de falar sobre Oliver.
Agora as últimas páginas... bom, poderiam ter sido somente elas. Talvez ter lançado como um conto? Não sei. Somente nessa parte digo que fui transportado, em essência, para o que o que tanto esperava que “Me encontre” realmente fosse.