É impressionante a capacidade do autor de escrever ficção como se parecesse uma biografia. Além disso, os comentários irônicos (e frequentemente inesperados) arrancaram-me várias risadas.
Maugham parece-me um pessimista: o amor não tem lá grande importância; a vida não tem sentido; e as pessoas são contraditórias, pois ao mesmo tempo que são caridosas e amáveis, demonstram egoísmo e desprezo.
Apesar da compaixão que Stickerland recebera da maioria das pessoas (e talvez até do narrador), EU não consegui sentir o mesmo.
Algo que me ocorreu foi um paralelo com "Crime e Castigo", no qual Raskólnikov argumenta que a sociedade isenta moralmente figuras históricas dos seus erros, graças aos seus grandes feitos. Isso ocorre aqui, mas não sei se acho isso certo.
Livro interessante, porém confesso que enfadonho por diversos momentos. Achei "O Fio da Navalha" bem superior.