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    Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal

    Hannah Arendt

    Companhia das Letras
    1999
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-10: 8571649626
    Português Brasileiro
    4.4
    1369 avaliações
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    Numa mescla brilhante de jornalismo político e reflexão filosófica, Arendt acompanha o julgamento do nazista Adolf Eichmann e elabora o conceito de "banalidade do mal", ameaça maior às sociedades democráticas. Em 1960, seqüestrado num subúrbio de Buenos Aires por um comando israelense, Adolf Eichmann é levado para Jerusalém, para o que deveria ser o maior julgamento de um carrasco nazista depois do tribunal de Nuremberg. Mas, durante o processo, em vez do monstro sanguinário que todos esperavam ver, surge um funcionário medíocre, um arrivista incapaz de refletir sobre seus atos ou de fugir aos clichês burocráticos. É justamente aí que o olhar lúcido de Hannah Arendt descobre a "banalidade do mal", ameaça maior às sociedades democráticas. Numa mescla brilhante de jornalismo político e reflexão filosófica, Arendt investiga questões sempre atuais, como a capacidade do Estado de transformar o exercício da violência homicida em mero cumprimento de metas e organogramas.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo21/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A máscara do horror

    Posso afirmar com precisão que "Eichmann em Jerusalém" é um dos melhores livros que já li. É o tipo de texto desafiador que produz conhecimento e vai além, instiga questionamento. Não, não é um livro simples. Nem poderia. Abordar nazismo, crueldade, inexistência de empatia e morte não é uma tarefa fácil. Todos os temas brilhantemente percorridos por Hannah Arendt são pertinentes, todas as escolhas, interessantes. Não é fácil compreender um período tão sombrio da humanidade, buscar justificativas - se é que elas existem - para os atos atrozes cometidos pelo Terceiro Reich. No entanto, Hannah opta por tomar um distanciamento controlado e um envolvimento objetivo para oferecer ao leitor uma análise desconcertante dos tempos nazistas sobre a desumanização. Adolf Eichmann, personagem principal da análise, juntamente com os juízes israelenses, o Estado de Israel, a cobertura da Imprensa internacional e os demais pormenores do espetáculo, formam o objeto de estudo do olhar clínico da autora. É curioso perceber como a conhecida crítica a alguns pontos do trabalho de Arendt tornaram-se irrelevantes, pois o dissecamento de uma figura anêmica e patética como Eichmann perdurou no tempo, tanto quanto os apontamentos críticos sobre a participação de judeus no estabelecimento do nazismo. Hannah Arendt mostra que a política é selvagem, que não mede racionalidade. Este grande livro, como se não bastasse, traz ainda um dedicado trabalho de pesquisa sobre a expansão das táticas de poder nazistas no leste europeu para pôr em prática a realização do holocausto judeu. É importante frisar que aqui somos introduzidos ao real valor da palavra "genocídio" que, irônica e tristemente, vem sendo banalizada nos últimos anos. Leitura essencial para a vida, pois apresenta a máscara do horror, essa que pede a todo instante para ser colocada e que é vestida nos momentos desatentos de uma sociedade.

    128 curtidas

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    Hannah Arendt profile picture

    Hannah Arendt

    Foi uma filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX. A privação de direitos e perseguição de pessoas de origem judaica ocorrida na Alemanha a partir de 1933, assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na decidir emigrar. O regime nazista retirou-lhe a nacionalidade em 1937, o que a tornou apátrida até conseguir a nacionalidade norte-americana em 1951. Trabalhou, entre outras atividades, como jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre filosofia política. Contudo, recusava ser classificada como "filosofa" e também se distanciava do termo "filosofia política"; preferia que suas publicações fossem classificadas dentro da "teoria política".

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    Hannah Arendt