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    A barata -

    Ian McEwan

    Companhia das Letras
    2020
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788535933109
    Português Brasileiro
    3.6
    185 avaliações
    Leram248Lendo6Querem180Relendo0Abandonos5Resenhas35
    Favoritos3Desejados180Avaliaram185

    Com sua inteligência e verve peculiares, Ian McEwan dá tratamento literário à experiência contemporânea de um mundo virado do avesso. A frase de abertura de A barata, o novo livro de Ian McEwan, é um evidente tributo à mais famosa obra de Franz Kafka, A metamorfose: “Naquela manhã, Jim Sams, inteligente mas de forma alguma profundo, acordou de um sonho inquieto e se viu transformado numa criatura gigantesca”. Por meio dessa divertida inversão, McEwan cria a trama desta deliciosa sátira política. Nela, Jim Sams é um inseto que, do dia para a noite, assume a forma humana de primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Sua missão é realizar a vontade do povo, expressa na aprovação da Lei do Reversalismo, que pretende remodelar o funcionamento da economia: as pessoas pagarão para trabalhar e ganharão dinheiro por consumir. Além de radical, a medida criaria uma enorme complicação na relação do Reino Unido com os demais países. Trata-se, é claro, de uma engenhosa metáfora para o Brexit. Mas nada poderá deter o primeiro-ministro: nem a oposição, nem os dissidentes de seu próprio partido, nem mesmo as regras da democracia parlamentar.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 03/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Reversalismo

    A Barata? é uma sátira política de autoria de Ian McEwan cujo tom remete a Jonathan Swift e seu ponto de partida é ?Metamorfose?, um clássico da literatura escrito por Franz Kafka. Considerado como um conto longo, são apenas 103 páginas, o livro começa numa manhã, quando uma barata acorda depois de um sono inquieto e constata que não é mais uma barata... Tornara-se uma criatura gigantesca e monstruosa, um humano, e não se trata de qualquer humano mas de Jim Sams, Primeiro-Ministro do Reino Unido. Apesar de McEwan afiançar que os nomes e personagens são produto de sua imaginação e qualquer semelhança com baratas reais, vivas ou mortas, é uma simples coincidência, fica claro para o leitor que a tal barata é uma projeção de Boris Johnson e a história é uma resposta literária para o dilema do Brexit. Por sinal, comecei a ler o conto em 31 de janeiro, dia que a Inglaterra saiu da União Europeia, fato que comprova a atualidade e o interesse que pode despertar a obra. Entretanto, ?A Barata? não é apenas sobre um inseto transformado em Primeiro-Ministro. Também apresenta um governo que consegue convencer seus cidadãos de que a Inglaterra só voltará a ser a grande potência que foi no passado, caso adote uma doutrina econômica sem pé nem cabeça chamada ?Reversalismo?. Sinteticamente, ela inverte o fluxo de dinheiro, logo quem trabalha, paga; quem gasta, ganha. Por exemplo: no final de uma semana de trabalho, o funcionário dá dinheiro à empresa por todas as horas que trabalhou, mas quando vai às compras, recebe uma quantia por cada item que leva. Dividida em quatro capítulos e um Posfácio, a narrativa apresenta o desenrolar de um plano para aprovar essa medida. Ele conta com um Ministério aparentemente formado por outras baratas, uma população instável, sujeita a mídia digital e não digital, além do apoio de Archie Tupper, Presidente dos Estados Unidos, e da desaprovação de uma não nomeada Chanceler da Alemanha. Se ficou curioso com o destino do Reversalismo e do ortóptero protagonista, adquira o livro, mas posso adiantar que o humor transcende qualquer reflexão mais séria aplicável à realidade. Afinal, como afirma McEwan: ?Se a razão não prevalece, talvez só nos reste o riso.? Nota: Adquiri o e-book e recomendo.

    21 curtidas

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    • 5 estrelas11%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas4%
    Ian Russell McEwan profile picture

    Ian Russell McEwan

    Ian McEwan é considerado um dos grandes nomes da ficção britânica contemporânea. Seu primeiro livro, <i>First love, last rites</i> (1975), ganhou o prêmio Somerset Maugham. É conhecido pela inventividade com as palavras e pelo gosto de usar a mecânica dos thrillers como crítica social. Ao longo de sua carreira foi indicado diversas vezes para receber o Booker Prize, o mais prestigiado prêmio literário britânico, o que veio ocorrer em 1998 com o livro <i>Amsterdam</i> (1998). Sua obra é famosa pelo realismo psicológico, com rigor de detalhes e clima ameaçador, explorando com frequência temas complexos como escolha ética, decisões difíceis e circunstâncias extraordinárias.

    60 Livros
    507 Seguidores
    Hampshire, Inglaterra

    Ian Russell McEwan