O olhar de Max -

    Louis Begley

    Companhia das Letras
    1995
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788571644717
    Português Brasileiro

    Max, professor de direito em Harvard e figurante secundário do jet set, reencontra seu ex-colega de faculdade, Charlie Swan, numa magnífica villa à beira do lago de Como, na Itália. Arquiteto badalado, homossexual tardio e dono de inteligência e humor devastadores, Charlie mantém um romance estável e duradouro com Toby, um jovem flâneur de beleza incomum e sem nenhum projeto de vida consistente. O olhar de Max mostra o destino de cada um desses personagens com raro brilho narrativo, humor refinadíssimo e sensibilidade aguda para o caudal de dramas que flui denso sob as mais elegantes ou prosaicas aparências. Tudo parece caminhar sob os trilhos previsíveis de uma existência afluente feita de falsos movimentos e sobressaltos contornáveis. Até que a morte, "o maior dos escultores", irrompe em cena, dando um relevo dramático e inesperado à superfície supostamente plácida dos dias.

    Resenhas (1)Ver mais
    Eduardo Braz picture
    Eduardo Braz21/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O olhar tranquilo e contemplativo do mundo desconhecido dos privilegiados

    Continuando minhas leituras de Louis Begley, que comecei com Sobre Schmidt e voltei em O Homem que se Atrasava, terminei O Olhar de Max. A estrutura dos livros de Begley não oscilam, há a apresentação da personagem, começo de suas interações, climax e final agridoce com um sensação pessimista e ao mesmo tempo satisfatória. O Olhar de Max acompanha, claro, Max, um comum professor universitario que irá ter interações na parte 'high society' do seu tempo e a sua percepção não julgadora de todos. Roupas, ambientes, comida e, o mais interessante, comportamentos, são os alicerces de toda a sua narrativa deliciosa, aonde os outros personagens vão se apresentando a Max com uma individualidade que só o autor sabe fazer. Já é o meu terceiro livro e não encontrei um único caso de repetição do mesmo caráter neles. Todos são únicos e mostram que suas vontades e vícios estão ali para ficar e determinar os rumos de maneiras espantosas, porém previsíveis. Charlie, Toby são o que ganham mais destaque, mas os relacionamentos amorosos de Max com Camila e Laura têm seus espaços bem postos. Assim como Schmidt, Max não julga nem reaje. está na história pairando incólume por cima da cabeça de todos. O 'olhar' do título não é a toa, com um voyerismo tranquilo e cuidadoso, sem interferencias marcantes. Isso não impede que a leitura afete o leitor, que acompanha esse olhar com força e atenção.

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