O homem que aprendeu o Brasil - A vida de Paulo Rónai

    Ana Cecilia Impellizieri Martins

    Todavia
    2020
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9786580309818
    Português Brasileiro

    O retrato de um intelectual húngaro que marcou para sempre a cultura brasileira. Europa, 1940. Milhões de judeus estão condenados. Não há saída: o resto do mundo não os quer. Nada de asilo, vistos. Para a maioria, a morte é certa. Brasil 1941. Um jovem intelectual judeu, Paulo Rónai, que deixou a Hungria no fim do ano anterior, chega à segurança do Brasil. Não vem clandestinamente, com documentos adulterados e nome falso. Vem com o impossível visto legalmente obtido. Como o conseguiu? A resposta é tão inusitada quanto toda sua vida e carreira, rastreadas passo a passo e narradas com grande elegância por Ana Cecilia Impellizieri Martins nesta biografia pioneira e necessária. Inacreditavelmente, o que valeu a Rónai o salvo-conduto foi aprender português sozinho em Budapeste e publicar, às vésperas da Segunda Guerra, uma antologia de poesia brasileira que reunia Bandeira, Cecília Meireles, Mário de Andrade e Drummond. Alguns deles se tornariam seus amigos pessoais e ele, paladino e intérprete de suas obras. Chegando ao Brasil, dedicou-se a duas tarefas: resgatar sua noiva e sua mãe, que ficaram na terra natal; e prosseguir seu trabalho literário, que, de início, consistia em continuar erguendo a ponte entre duas culturas distantes. Enquanto isso, provavelmente sem sequer percebê-lo, o judeu húngaro se metamorfoseou: tornou-se brasileiro, um dos grandes intelectuais brasileiros do século XX. Segundo um ditado húngaro, Quantas línguas, tantas vidas, e, ao se meter a aprender a última flor do Lácio, Rónai não sabia que esta é que lhe daria uma nova vida ― perpassada pelo luto e pela melancolia da primeira, mas nem por isso menos vital.

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    Vania Cristina Ribeiro02/08/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Trabalho para merecer meu destino"

    O livro foi uma adaptação da tese de doutorado defendida por Ana Célia em 2016 na PUC - Rio. É o resultado de uma monumental, eficiente e dedicada pesquisa que ela realizou. A linguagem é acessível e fluida, só achei que a autora poderia ter saído mais da estrutura da tese para ser menos repetitiva. A edição da Todavia é muito boa, com índice remissivo, notas, referências bibliográficas, fotos etc. Conhecer a vida desse homem é um privilégio que Ana Célia nos proporciona. "Trabalho pra merecer meu destino". Essa fala de Paulo Rónai define bem sua trajetória. Judeu húngaro, Paulo teve que fugir do seu país para garantir sua sobrevivência e a de sua família. A Hungria estava vivendo a ascenção do nazismo e o início da segunda guerra. Pouco a pouco os judeus foram perdendo tudo: direitos, emprego, bens... Sabiam que corriam risco de serem mortos. O Brasil e a língua portuguesa foram os caminhos que Paulo encontrou para escapar. O trabalho intenso e o foco foram essenciais no percurso desse caminho. Uma vez salvo de um destino cruel, (do qual outros não conseguiram fugir) Paulo encontrou no trabalho uma forma de retribuição, de agradecimento. (Eu nunca tinha pensado antes no ato de trabalhar como o de fazer uma oferenda... aos homens, a um povo, a um país, talvez até mesmo a Deus). Isso tornou sua vida de uma dignidade sem igual e o cercou de amizades preciosas. Entre seus amigos íntimos e sinceros estavam Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Aurélio Buarque de Holanda e Guimarães Rosa. Paulo conquistou seu espaço no Brasil sem esconder como realmente estava: vulnerável. Com humildade, lutou por oportunidades e agarrou cada uma que surgiu. Vivendo num país estranho, sem dinheiro, construiu uma rede de apoio através de encontros e diálogos, sempre oferecendo em troca seu esforço e seu conhecimento. Se tornou, assim, um brasileiro. E um dos maiores tradutores e críticos literários que o Brasil já teve.

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