Esse péssimo livro mistura cultura celta com elementos de outras culturas. O subtítulo do livro diz: "Um guia para sua viagem ao Outro Mundo celta". Mas o Outro Mundo celta não é o mundo dos mortos. É o mundo dos seres encantados, as fadas ou seres feéricos. Na mitologia celta, pode-se ir a esses outros mundos, ou ilhas, ainda em vida. O próprio Máel Dúin, herói mítico celta que é personagem central do livro, visita várias ilhas com seu barco e seus homens no período de sua vida, e não após sua morte.
A história original na mitologia celta se chama Imram Curaig Maíle Dúin, ou "A Viagem de Máel Duín". O herói parte para o mar para vingar a morte de seu pai. Após muitas aventuras em ilhas encantadas, ele retorna à Irlanda. As ilhas visitadas pelo herói são cheias de encantos, armadilhas e mistérios, como animais fantásticos, bestas sobrenaturais, mulheres sedutoras, entre outras maravilhas. É um relato que mais se assemelha a uma viagem xamânica do que a uma experiência além-túmulo.
O problema desse livro é a abordagem que a autora faz do Livro Egípcio dos Mortos e do Livro Tibetano dos Mortos, além das visões grega e cristã sobre o "Outro Mundo". O livro da Caitlin Matthews acaba transmitindo uma idéia diferente do Outro Mundo celta, e insinuando no título algo que o leitor não encontrará no conteúdo do livro. Se a intenção da autora era desenvolver um oráculo a partir da lenda de Máel Dúin, o principal objetivo passa longe de ser atingido: o Outro Mundo não é o celta, as cartas não têm um desenho atrativo, e o leitor se pergunta o que a figura de um drakkar está fazendo na toalha que acompanha o livro e as cartas na edição original. Difícil obter aconselhamento desse oráculo...