O futuro a Deus pertence: Pe. Antônio Vieira
Na História do Futuro, o jesuíta forma e transforma a narrativa condicionada ao Tribunal do Santo Ofício. Enquanto se defende das acusações, também redige sua narrativa, produzindo uma realidade paralela na qual acreditava, uma ficção profética, uma especulação (im)possível. Obviamente outros textos circundam a narrativa vieirina, como a Clavis Prophetarum e a Carta Esperanças de Portugal, este último pivô do processo e desencadeador, na retomada da escrita, da História do Futuro. O jesuíta retoma seu projeto narrativo por conta da coação que o Tribunal do Santo Ofício o submete, pois o acusa de uma obra que sequer havia escrito ainda e somente tinha a tenção de fazê-lo. Vieira acha o momento oportuno para desenvolver sua exegese profética e requisita ao Tribunal que lhe permitam escrever, só então julgando suas premissas. De fato, não se pode condenar alguém que nada havia feito ainda. A História do Futuro, ainda que inacabada, veio à existência graças à Inquisição.




