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    Adeus, China - O Último Bailarino de Mao

    Li Cunxin

    Editora Fundamento
    2007
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788576761808
    Português Brasileiro
    4.6
    2436 avaliações
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    Em um vilarejo desesperadamente pobre do nordeste da China, um jovem camponês está sentado em sua frágil e velha carteira escolar, mais interessado nos pássaros lá de fora do que no Livro Vermelho e nas nobres palavras nele contidas. Naquele dia, porém, homens estranhos chegam à escola, os delegados culturais. Estão à procura de jovens camponeses que, depois de receberem a formação necessária, possam tornar-se os fiéis guardiães de grande visão de Mao para a China.

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    Regina Carneiro picture
    Regina Carneiro08/03/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro para ser lido

    Integridade de caráter, Amor, Amizade, Ternura, Bondade, Coragem, Determinação são valores que a gente vê retratados, de maneira singela, mas com realismo, no livro que acabei de ler – Adeus, China – O Último Bailarino de Mão. Certo, a história é do autobiografado Li Cunxin, mas fiquei encantada mesmo foi com sua niang (mãe, dona de casa chinesa) e o dia (pai, chefe de família). Li é o 6º filho de uma prole de 7 crianças, todas do sexo masculino, o que seria equivalente a ganhar milhões na loteria, caso esta existisse na China de Mao. Fiquei encantada quando o autor descreve o casamento de sua niang, então com 18 anos, e com seu dia, com 22, em 1946. A noiva tinha tudo para desagradar à família do noivo, porque não tinha os pés chatos, isto é, quando criança, recusara-se terminantemente a deixar que enfaixassem os dedos dos seus pés por trás do dedão, o que significaria atá-los forte e dolorosamente, por anos a fio, até a maioridade, conforme a tradição chinesa. Se, por um lado, ela desafiara a tradição, por outro, tal desafio lhe seria da maior utilidade, após o casamento, diante das infatigáveis tarefas domésticas com as quais iria se defrontar. No momento do casamento, quando o noivo levanta o véu que encobria a noiva nunca vista até então, naquele momento, quando os dois se olham, trêmulos e acanhados, brota um sentimento que se firmaria, ao longo da vida, como um amor dos mais sinceros e respeitosos. Naqueles dias tremendamente difíceis, com a política de Mão invadindo inexoravelmente a vida privada dos cidadãos chineses, decidindo o destino das pessoas, pregando o amor incondicional ao Chefe Mao, num indubitável culto à personalidade, a família de Li Cunxin, todos tradicionalmente sentados em volta da um estrado que, de dia era mesa, de noite era a base de uma cama, via sua niang reservar um pequeno e raro pedaço de carne de porco, caprichosamente assada num fogão a carvão, para o chefe da casa. E este, fingindo estar já satisfeito com os inhames secos já comidos, afastava o pequeno pedaço para a niang. Nenhum dos 7 filhos do casal aceitaria comer aquela iguaria, nem sempre disponível à “mesa”, cada um empurrando o precioso pedaço de carne para outro, até que a niang, com aquela firmeza autoritária cheia de sabedoria empurrava o prato para o marido, obrigando-o a comer, dizendo: Coma, você é o responsável pelo nosso sustento, deve comer melhor, se adoecer ou morrer, estaremos todos na miséria absoluta. Então, se o livro é escrito por Li Cunxin, a inspiração veio de sua família, de uma mãe e de um pai que nasceram com a sabedoria para exercerem seu papel de pais. O dia jamais levantou a voz para a niang, ao contrário, tinha-lhe respeito total. E vice-versa. Uma única vez brigaram. E ficaram sem se falar por umas semanas. Todos os filhos entristeceram e não compreenderam nada. Até que Li Cunxin, com 6 anos, cheio de artes, pega a bicicleta surrada do pai (ferramenta de trabalho fornecida pelo governo) e vai buscá-lo no campo, dizendo: “a niang mandou buscá-lo”. Surpreso, o dia, homem de poucas palavras, entra em casa e, quebrando o silêncio, se dirige à esposa. Nesse momento, ambos percebem a manobra do filho. E, depois de um silêncio constrangedor, caem na gargalhada e tudo volta às boas, para jamais, na vida, uma discussão como essa se insinuar. O livro é assim, cheio de tesouros de convivência. Um manancial de emoção, um monumento de caráter inquebrantável, de força interior, de luta, mas de brincadeiras simples de crianças nas ruas, de histórias contadas pela vó Na-Na, de brincadeiras de lutas com um pé só, e, após as crianças serem alfabetizadas pelas escolas rurais, de “busca de palavras” nos velhos jornais que eram pregados nas paredes da casa. Eram momentos de intensa alegria, que me lembra aquelas brincadeiras de mamãe: “qual é a fruta que começa com a letra ...?” A niang e o dia, analfabetos, nada entendiam, mas riam a valer com o alvoroço dos filhos, quando um deles achava a palavra buscada. E esse pequeno camponês, que aos onze anos é destacado pelos guardas vermelhos, para estudar numa escola de ballet chinesa, vivendo parte de sua infância e toda sua adolescência longe do seu dia e da sua niang, viria a se tornar um bailarino festejado no mundo ocidental, num mundo de ícones como os russos Barishnikov, Nureyev, Makarova, Vasiliev e tantos outros. DOU 5 ESTRELAS e faço a recomendação: Leiam.

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    李存信

    Li Cunxin em 26 de janeiro de 1961 perto de Qingdao na província de Shandong é um bailarino chinês. É autor da autobiografia O Último Bailarino de Mao.

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    李存信