Direito, Hermenêutica e Literatura -

    Maria Helena Damasceno e Silva Megale

    Editora D'Plácido
    2019
    150 páginas
    5h 0m
    ISBN-13: 9786580444274
    Português Brasileiro

    O desvirtuamento da retórica praticado especialmente pelos políticos ao longo dos séculos, recordado no ‘Ensaio sobre a origem das línguas’, fez pensadores desprezarem o discurso retórico. Apesar de Lévinas se referir à retórica de modo pejorativo, acreditamos que, no plano de sua filosofia da afetividade, esse pensador rejeite não a retórica na acepção que lhe dera Aristóteles, mas o discurso erístico, portanto injusto, violento, próprio da lisonja, demagógico, propagandístico, de abordagem indireta, desleal, anônimo, fraudulento. Nos bens da literatura, captamos um pouco da natureza da linguagem, especialmente quando tentamos apenas compreender, no abandono de qualquer explicação. Os grandes literatos são os primeiros sabedores das dificuldades da linguagem, mas também parecem saber que ela própria ensina.

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    Paulo Silas Taporosky Filho16/07/2024Resenhou um livro
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    Como o título bem evidencia, a obra relaciona três saberes autônomos que ao mesmo tempo possuem um liame que possibilita a proposta: direito, hermenêutica e literatura. Com um enfoque muito mais presente nos campos da hermenêutica e jurídico, estando a literatura presente de forma mais amena - enquanto alguns poucos exemplos para ilustrar as abordagens realizadas -, o trabalho produzido pela autora promove algumas reflexões gerais sobre o estado atual das coisas na sociedade. São seis capítulos que o livro conta, cada qual incutindo reflexões promovidas a partir de algumas bases filosóficas apontadas pela autora. Temas como alteridade, responsabilidade, preconceito, carência, impessoalidade, juspolítica e alguns outros são discorridos ao longo do livro com propriedade a partir de um referencial que desde logo é apontado. Cada capítulo possui poucas páginas, sendo o suficiente, porém, para que se consiga expressar de forma ordeira a mensagem pretendida pela autora. É um livro curto, contando com poucas 70 páginas. Como registra Adriana Goulart de Sena Orsini no prefácio, "é uma obra de destaque, própria daqueles que reconhecem a importância da Literatura, do Direito e da Hermenêutica na construção de uma sociedade, que, nos termos da Constituição de 1988, cada vez mais justa, ética, fraterna e solidária". Com abordagens que relacionam (em que pese poderiam se dar de forma mais expressiva) Clarice Lispector, Göethe, Drummond, Neruda e alguns outros nomes da literatura, as reflexões compartilhadas pela autora assim o são sucintamente em um livro que soa interessante.

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