Uma ótima história com um trabalho visual fraco.
Zagor é um personagem que conheço há muitos e muitos anos, mas nunca o coloquei no mesmo patamar de importância que há muito atribuo a Tex, por exemplo. Claro, é um personagem clássico, mas o perfil de histórias dado ao espírito da machadinha nunca me atraiu muito - um western mais juvenil que o mostrado pelo seu "irmão" mais famoso. Porém, o número 67 da coleção Zagor Especial, da Mythos, mostra justamente uma trama bastante brutal. A narrativa tem uns toques que remetem aos filmes de Sergio Leone, algo que pode ser percebido no apelido dado à personagem que nomeia a história: Blonde (o mesmo apelido foi dado ao personagem de Clint Eastwood em Três Homens em Conflito). Mas as referências não param por aí; a narrativa que se desenrola pela perspectiva de Blonde revela uma trama de vingança, com direito a símbolos usados em Por uns Dólares a Mais - como o relógio de bolso que o antagonista carrega, uma marca sentimental de um passado trágico. A história em si é excelente e o clímax é explosivo. Até aqui, ótimo. Contudo, a parte visual é bastante desequilibrada, com desenhos que ora são bons, ora são estranhos; e há falhas lamentáveis, como a estrela do corrupto xerife, que aparece e desaparece do peito do personagem de modo nonsense e, quando aparece, apresenta formatos diferentes. Com um desenhista mais afiado, com toda certeza este seria um exemplar muito superior. Apesar dos defeitos, este foi um dos melhores títulos que li com o nome do Zagor. Recomendadíssimo!

