O passado não pode ser desfeito
O presente se passa nos Estados unidos, 1989. O passado na Alemanha, período do nazismo. O que temos nos anos anteriores é a história de duas garotas inseparáveis, melhores amigas desde a infância. Até que em sua adolescência as duas precisam se separar e dissolver a feliz amizade que tinham, já que o nacionalismo alemão tomou poder e os judeus começaram a ser caçados. Renate é dita pelo governo como inteiramente judia, Ilse é ariana e se junta ao partido nazista como colunista. A trajetória das duas muda drasticamente e podemos ver o contraste de quem vivia bem e de quem era perseguido. Ilse sacrifica muita coisa e por mais que ela tenha sido o que foi, a narrativa consegue mostrar que ela, especificamente, não foi uma pessoa ruim. No futuro temos Ava, filha de Ilse, que foi privada ate seus 46 anos de saber sobre seu passado e o passado de sua mãe. Deixada no orfanato após a morte dos avós, Ava reencontra sua mãe aos seis anos depois do fim da guerra. O livro começa quando Ava recebe uma carta do advogado de Ilse comunicando o falecimento da mesma e junto, um bolo de cartas que ela nunca enviou para sua antiga amiga Renate onde finalmente Ava pode descobrir tudo que sua mãe se negou em contar em vida. Então a história narra toda a trajetória das três personagens, da infância a vida adulta. Todos seus altos e baixos e suas consequências de escolhas que não se tem mais volta. Mesmo tendo aprendido sobre as atrocidades da guerra, ler a história de uma família judia na Alemanha foi por vários momentos destruidor, algumas cenas ainda passam pela minha cabeça com frequência. Mas não é um livro “explícito”, não se preocupe. A autora te faz passar o livro todo agoniada como se fosse a própria Ava curiosa sobre seu passado e o final, uau, foi inesperado e vai ficar comigo pra sempre. Infelizmente o livro só existe em inglês (e parece que agora em espanhol), mas quem se sente confortável na língua, vale muito a pena.
