Os Sensitivos conta a estória de Sara, uma parapsicóloga que utilizando-se de técnicas de autocura, livrou-se de um câncer. Ela sentiu que deveria fundar uma instituição para compartilhar sua história e para ensinar mais sobre a parapsicologia. Inúmeros "sensitivos" acabam sendo atraídos pro instituto dela e com isso forma-se um grupo de investigação de casos paranormais. Aparentemente a autora não precisou ir muito longe pra conseguir inspiração, pois ela própria é parapsicóloga e se curou de um câncer com técnicas dessa ciência.
Os Sensitivos acaba sendo um misto de autobiografia, livro de parapsicologia e romance. Como todo livro, possui pontos positivos e negativos:
Positivos:
Achei super interessante a narrativa da estória como se Sara estivesse sendo entrevistada por um apresentador. Além disso, a técnica de colocar exercícios no meio da estória, como Paulo Coelho faz em o Diário de um Mago, foi bastane válida no caso de "Sensitivos. Os exemplos de uso de parapsicologia para ajudar a polícia e hospitais também foram interessantes e podem ajudar a desmistificar essa interessante ciência.
Negativos:
Como autobiografia "Sensitivos" é um relato muito breve e superficial do que realmente aconteceu com a autora. Você fica curioso pra separar os fatos da ficção e isso poderia ter sido uma contribuição imensa pro aumento do conhecimento na área.
Como livro de parapsicologia é incrivelmente raso e fala de coisas que são facilmente encontradas na internet. Além disso, a protagonista em inúmeros momentos do livro assume a postura de professora e começa a despejar explicações parapsicológicas onde absolutamente isso não caberia. Qualquer pessoa com um pingo de sensibilidade não vai dar uma explicação científica pra alguém que está sofrendo.
Como romance policial, bem, talvez seja onde haja mais espaço para melhora: o português é bom, mas a narrativa é confusa e os personagens são completamente desconexos. Até mesmo o romance entre o Júlio e a Marina ficou mal construído. De repente ela o acha um idiota e de repente eles transam.
A maior parte das reações emocionais é completamente exagerada e clichê. O Júlio é um caipira, mas nem todo caipira é burro. O Bruno é um playboy rico e mimado, mas nem todo rico rasga dinheiro. Há pastores desonestos, mas também há pastores que seguem fielmente os preceitos de sua religião. Nem toda pessoa que trabalha muito valoriza mais o trabalho que a família. etc, etc, etc.
E veja bem, nem sou fã de pastores fanáticos, mas nem eu consegui engolir o pastor da estória como alguém que poderia ter sido uma pessoa real. O cara não só rouba dos fiéis, como transa com todas as mulheres do rebanho dele, engravida a esposa de um dos personagens, ajuda no sequestro do filho de um dos personagens, molesta crianças, etc, etc, etc. Meio "over", não?
Juro pra vocês que o vilão usa uma capa. Não, não é mentira. Ele realmente usa uma capa.