Nessa história perfeita vamos conhecer a Candace, uma menina norte americana de descendência sul coreana, que se esforça ao máximo para agradar os pais, toca instrumentos clássicos e é super estudiosa. Só que ela também ama K-pop em segredo e quando sua amiga a convence de participar de uma audição para se tornar trainee de uma das maiores produtoras da Coreia, a última coisa que ela espera é passar.
Porém, ela é escolhida e precisa enfrentar a insatisfação dos pais em ela querer seguir essa carreira ao invés de se esforçar para entrar numa faculdade. Até que eles fazem um trato e Candace embarca na aventura de trainee na Coreia.
É a partir daí que todo o livro se desenrola - em sua vida de trainee. Conhecemos detalhadamente todo o processo rigoroso e puxado - quase desumano até - de poucas horas dormidas, refeições extremamente regradas, treinos incansáveis e muita cobrança.
Além disso, a maior regra de todas é NÃO SE ENVOLVER COM MENINOS e o que, a princípio ela pensou que seria fácil, acabou se mostrando o contrário.
Inclusive, esse é um dos pontos super interessantes do livro - como o autor coloca os problemas da indústria do kpop, desde como são vistos e tratados casos de namoro até como um pedaço do corpo específico não coberto pode gerar uma onda de insatisfação no país. E como os coreanos tratam o kpop para si.
Além disso, outros pontos que me fizeram amar e favoritar o livro foram:
1) As inúmeras referências pop - desde Ariana Grande, RuPaul's Drag Race, até Girls Generations, Blackpink e Red Velvet.
2) O mergulho profundo na cultura coreana, desde hábitos tradicionais até comidas e a própria história da Coreia. Mas o mais legal foi durante todo o livro ter palavras específicas em coreano e depois a Candace explicando o significado ou tentando traduzir para o inglês, foi sensacional saber mais tanto sobre o vocabulário básico coreano como algumas gírias específicas do K-pop.
3) A forma como o autor detalhou muito bem todo o processo de trainee para uma grande gravadora - desde as audições até o momento do estrelato. A gente sabe que a indústria do k-pop é podre, mas muita coisa que eu li ainda me chocou como se eu estivesse sabendo pela primeira vez.
4) As diferenças culturais entre a Coreia e os EUA. A Candace viveu toda sua vida nos EUA, e ainda que tivesse pais coreanos, seu modo de vida era completamente ocidental e isso foi um baque muito grande para ela desde o momento em que aterrisou em solo coreano. O choque de culturas foi muito bem desenvolvido e a evolução da personagem com relação a isso também.
5) A forma como os coreanos tanto que vivem na Coreia como os que vivem fora enxergam o K-pop como algo de orgulho a sua identidade. Logo no início, a Candace se mostra envergonhada de gostar e dos grupos de K-pop, porém ela percebe que isso é parte de sua cultura, de suas origens e a forma como isso está se espalhando pelo mundo, tem que fazê-la ter orgulho de sua descendência. Paralelamente, vemos o quanto os coreanos tratam o ritmo como um símbolo nacional, como um interesse do Estado e imagem do país internacionalmente (o que de fato é hoje em dia (alô soft power) - o aluno de relações internacionais dando as caras). E, por isso, todo e qualquer escândalo deve sere evitado, porque se aquilo é a representação do país frente ao mundo, qualquer rachadura significa quebrar a representação coreana no mundo também.
Enfim, K-Pop Confidential foi definitivamente um dos melhores livros que li em 2021 e na vida, e eu já terminei querendo voltar pro início e ler tudo de novo. Eu mal posso esperar pela continuação e/ou tudo e qualquer coisa que o Stephan Lee escrever daqui pra frente. Eu recomendo DEMAIS e ordeno que todo mundo que leu até aqui vá agora pegar esse livro pra ler!!!!!!!!
P.S.: Pra quem gosta de audiobook, o audiobook desse livro É A MELHOR COISA DO MUNDO!!!!!!! A narradora é a Joy Osmanski e ela simplesmente entregou TUDO. Além de um banho de atuação na narração, ela ainda CANTOU em diversas partes do livro!!!!! Foi DEFINITIVAMENTE a melhor experiência com audiobook que eu já tive na vida!!!