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    Caminhos cruzados -

    Érico Veríssimo

    Editora Globo
    1995
    299 páginas
    9h 58m
    ISBN-10: 8525001295
    Português Brasileiro
    4.2
    1944 avaliações
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    Caminhos cruzados é o painel irônico e caricatural da sociedade brasileira durante os anos Vargas. Aproximando-se dos autores de sua época, Erico Verissimo constrói uma forte denúncia social em Caminhos cruzados Lançado pela primeira vez em 1935, Caminhos cruzados é um interessante painel das diversas camadas que compunham a sociedade brasileira à época do governo de Getúlio Vargas. Erico Verissimo traça cento e vinte instantâneos de cinco dias - de sábado a quarta feira - da vida de diversos tipos diferentes: desde a garota pragmática e seu namorado sonhador até a prostituta meiga e a senhora que imagina ver suas obras assistenciais nas páginas dos jornais. Uma cidade inteira aparece nas páginas do livro. A técnica de Verissimo nesse momento um autor jovem mas já com domínio da prática romanesca é a composição de murais, muitos deles fortemente descritivos que, unidos, compõem uma trama de misérias, opressão social e hipocrisia.

    Edições (6)

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    Clio picture
    Clio19/09/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Outra obra de Érico Verissimo em que ele brinca com o contraponto, a técnica de colocar várias histórias paralelas que retratam uma mesma ideia, mas não necessariamente uma mesma trama. A ideia principal é como o mundo moderno massacra a arte no Homem. No desenrolar, somos apresentados a quatros sonhos básicos: o infantil (João Benévolo), o utópico (Noel), o alienador (Chinita), o esperançoso (Clarimundo). Desnecessário dizer que todos são incapazes de conciliar o mundo real com o onírico, afinal o pragmatismo trai a tendência humana à criação e a apreciação. Incansavelmente, pela família, sociedade e governo, os personagens são sistematicamente atacados com a exposição da realidade, seja ela comer, amar, dormir, pagar as contas. E mesmo obedecendo a essas predisposições, Verissimo faz questão de descrever como ainda assim, com cega obediência, é impossível algo mais do que apenas a mera sobrevivência. É o quotidiano de mais de noventa porcento dos brasileiros que ao final do dia ainda dizem, como Buarque, "Deus lhe pague".

    118 curtidas

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