Publicado em 1995, “O Criador” é um dos dez livros de Semíramis Paterno. Uma ilustração, uma alegoria, uma metáfora sem frases da criação do universo, com enfoque direcionado para os problemas ambientais vividos no planeta Terra. Um livro sem letras, mostra de uma realidade, reflexão de comportamentos. Uma pequena grande obra, onde a autora apresenta, através de imagens, um ser que cria e outro que, criado, transforma.
O criador -
Semíramis Paterno
o Criador e as criaturas
No livro, o Ser que cria é representado por uma mão, que, com lápis sempre coloridos, pinta o universo, sem manifestar, entretanto, intenção de justificar ou comprovar qualquer teoria, representando apenas os encaminhamentos dados à criação. Nas poucas e profundas páginas desse livro, estão estampadas todas as belezas: do céu, da Terra, do mar, desde as constelações à água do riacho, o colorido das flores e borboletas, a diversidade da fauna e flora. Sempre uma mão, a mão direita, planejou os detalhes de toda a criação, inclusive, e principalmente, a criação do homem. Criado o homem, esse ser recebe o lápis, como se fosse um certificado de independência, uma carta-branca para modificar a criação. Usando o lápis com cores ora marrom, ora preto, rompe obstáculos. Pintando sempre em tons escuros, vai à luta e modifica toda a criação. Altera a obra, de acordo com suas supostas necessidades e conveniências, numa atitude unilateral, ignorando que o custo de sua engenhosidade dava uma coloração diferente à criação, desprezando ser ele mesmo parte dessa criação. Nas imagens, pode-se observar o processo de desenvolvimento que remodelou o espaço geográfico: o crescimento urbano verticalizado e não planejado; a poluição dos mares pelos grandes petroleiros como necessidade de suprir o desenvolvimento desenfreado; o desmatamento que visa atender ao abastecimento de energia das fábricas e a industrialização como grande fonte poluidora. Isso tudo, num pequeno grande resumo do processo desenvolvimento versus meio ambiente. As últimas ilustrações retratam o momento em que vivemos, mostram o homem admirando a sua obra, amparado pelo seu lápis, que simbolizou a liberdade de criar e transformar, seu livre arbítrio, seu poder, chegando aos dias atuais. O exato momento em que vivemos, onde, na condição de transformador de toda a criação, o homem é como que levado ao banco dos réus, para prestar contas de todo o tom sombrio que deu ao mundo. A grande mão ressurge e aponta para o homem, com o dedo indicador, como se fosse a natureza cobrando, clamando por uma reflexão. O lápis do homem é recolhido. Não existe mais espaço para “cores tristes” nesse quadro. É hora de parar, pensar, refletir, de corrigir e redirecionar condutas e comportamentos, devolver à Terra suas cores originais, antes que os matizes do arco-íris se desmanchem e se transformem em uma única, triste e sólida cor: o cinza. Ao fim, uma mensagem de esperança: o homem, reconciliado consigo mesmo e com o planeta, é recolhido pela mão, como que numa sintonia criador e criação, homem e natureza. O Criador é uma seleção de imagens que devem ser vistas por pessoas de todas as idades. Uma reflexão , uma chamada à (re)educação ambiental.
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