Qual o destino do questionamento sobre a indefinição da firgura humana e a desintegração das ilusões do humanismo, que dominou a arte moderna na maior parte do século XX, nos anos mais recentes? "O Corpo Como Objeto de Arte", de Henri-Pierre Jeudy, pode trazer algumas luzes sobre isso.
O sociólogo e filósofo francês discute a criação e multiplicação “neo-humanista” de novos estereótipos no centro mesmo do suposto questionamento, inclusive nas performances apresentadas por artistas de vanguarda em exposições internacionais.
O obsceno se tornou a marca convencional de um “mundo dilacerado”. Um espetáculo que legitima o desejo coletivo de uma conquista eterna do “Bem universal”, que banaliza e tranqüiliza ao enquadrar o que poderia ser “outro”, transforma-o em algo meramente obsceno e neutraliza os efeitos da representação que poderiam ser desestruturantes.
Infelizmente, o autor, que em outros textos e ocasiões tem criticado a perda de autenticidade e a diluição da fronteira entre o verdadeiro e o falso na restauração de obras artísticas e na multiplicação de cópias de monumentos históricos, parece não ter a mesma preocupação quando se trata de sua própria obra.
Uma nota do editor, à página 10, avisa que “em comum acordo com o autor, esta edição é ligeiramente reduzida em relação à original francesa”.
Foram-se, para começar, todas as ilustrações. Quando se discute obras de arte pouco conhecidas, não deviam ser tratadas como luxo dispensável. Da obra de Jeudy também foram descartados quatro dos 17 capítulos originais, que tratavam de assuntos que a editora considerou demasiado franceses. É mais ou menos como se o editor de "O Capital" no Brasil descartasse os capítulos sobre as condições de vida dos trabalhadores por serem britânicos demais.