O tema que motivou a presente pesquisa foi o da possibilidade de articulação entre fenomenologia e ontologia. Ela teve a pretensão de mostrar, a propósito, que a retomada do problema do ser era já a possibilidade central inscrita no projeto filosófico husserliano. Basta recordar, com efeito, que a tendência de pensamento que surge com Husserl e prossegue, depois, com Heidegger, Sartre e outros, parece, justamente, querer corroborar tal suposição. Husserl inaugurou a fenomenologia já designandoa, explicitamente, para a tarefa de constituir uma ontologia universal dos fenômenos. A introdução e o epílogo das Meditações Cartesianas e, em particular, o parágrafo 59 deste livro, sinalizam também para a mesma ideia. Colocamonos assim, de início, na averiguação dessa hipótese guiados pela leitura de Husserl e de alguns de seus intérpretes. Outra questão, porém, logo se impôs, ao longo do processo, requisitando nossa atenção: Husserl parece propor um quadro de referências fenomenológicas que antecipa o estabelecimento da ontologia e se oferece como item indispensável a este estabelecimento. O referido quadro é constituído por quatro referênciaschave – que parecem assumir o papel de condições e diretrizes para toda ontologia que queira estabelecerse a partir da fenomenologia. São elas: 1º a correlação intencional; 2º a tese da imanência e da transcendência; 3º a redução fenomenológica; 4º a estrutura teleológica. Como sabemos, o trajeto histórico da fenomenologia, depois de Husserl, passa por Heidegger e Sartre. A hipótese reitora de nosso trabalho, portanto, será a de que os quatro referenciais servem de orientação para eles na sua tentativa de converter a fenomenologia transcendental numa ontologia fenomenológica. A proposta aqui será conferir de perto o desenlace desse projeto, vendo a recepção dos referenciais por parte de Heidegger e Sartre, e o modo como sua ontologia fenomenológica se comporta em relação ao quadro de diretrizes acima elaborado por Husserl. Iremos ver que tudo se passa, de fato, como se toda ontologia – cuja orientação seja fenomenológica – parte dos referenciais da correlação, da imanência, da transcendência, da redução, da teleologia, a eles retorna e neles se mantém – seja prolongandoos, seja modificando seu sentido. Desejamos aqui, todavia, não estabelecer um esquematismo, cujo excedente formalismo acabaria nos afastando da realidade. A ideia é apenas propor uma via de interpretação que permita entender melhor o modo como a fenomenologia transcendental é convertida por Heidegger e Sartre numa ontologia fenomenológica, mas sem perder de vista o quadro referencial legado de início por Husserl.
O PROBLEMA DO SER A PARTIR DOS REFERENCIAIS FENOMENOLÓGICOS: DA FENOMENOLOGIA TRANSCENDENTAL À ONTOLOGIA FENOMENOLÓGICA - - Marcelo Rosa Vieira
não informado
UFU
2016
328 páginas
10h 56m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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