Com uma poética profunda, hermética e corajosa, o poeta Adão Cunha, em seu livro de estreia Ocupando o branco dos olhos, traz uma essência enigmática, germe que pertence aos poetas de fina estirpe. Nas quatros partes que compõem a obra, Adão faz jus ao seu nome ao traçar um caminho poético "próprio", criado e percorrido por ele de modo a torná-lo único. Trata-se aqui de um vate original no sentido dantesco da palavra, muito bem concebida pelo genial Rodin em sua "Porta do Inferno", na qual o poeta/pensador vê, vive, sente e cogita a existência humana. Adão, o poeta ou o poeta Adão é um andarilho dos sentidos, na dimensão do Zaratustra nietzschiano; seu percurso poético é uma prova disso. Para entender a sua poesia é preciso dar-lhe atenção, como quem sabe observar a construção de uma teia e a simplicidade dos que se ocupam com a beleza do voo das borboletas. Sua percepção acerca da poesis, aliado ao seu vasto conhecimento sobre filosofia, lhe dão régua e compasso para se aventurar a fazer uma poesia filosófica, união feita com maestria por Holderlin. Já o vate tropical, aqui exposto, avança ao trazer com muita força, para dentro da sua poética, as artes plásticas, tema que domina, compreende e se relaciona com sentimento e perícia, a ponto de brincar com este seu manjar linguístico. Todo poeta é essencial, pois, como já dizia Pound, eles são antenas da raça humana, mas Adão, com sua coragem de quebrar paradigmas, traz na mão pétala e pólvora, sublimando-se. Parafraseando o inominável Nietzsche, a poesia de Adão Cunha pode ser para todos ou talvez para ninguém, fica a cargo de quem lê e sente. (Escrito por Ivan de Almeida, poeta, jornalista e editor - contracapa)
Ocupando o Branco dos Olhos -
Adão Cunha
Cogito Editora
2019
108 páginas
3h 36m
ISBN-13: 9788563037862
Português Brasileiro
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