Um apelo urgente à ação de uma das pensadoras políticas mais respeitadas da Europa, e um verdadeiro guia de campo para identificar os padrões e mecanismos astuciosos da vaga de populismo que varre o mundo atual - antes que seja demasiado tarde. «Isso não pode acontecer aqui». Ece Temelkuran ouviu esta frase a pessoas sensatas em Inglaterra na noite do referendo ao Brexit. Ouviu também gente razoável a proferi-la na América na noite da eleição de Trump, ainda que fosse abafada pelos gritos de «Construa o muro!». Ouviu-a a pessoas racionais na Turquia, quando Erdogan foi eleito fraudulentamente, reconstruiu a economia com base no compadrio e classificou os seus opositores como terroristas. Este livro explica-nos que o populismo e o nacionalismo não chegam ao poder de forma transparente: vão-se infiltrando. A jornalista e autora premiada Ece Temelkuran identifica os sinais precoces deste fenómeno, que vão despontando em todo o mundo, num esforço para definir um padrão global e nos dotar de ferramentas para o erradicar.
Como Perder um País Os Sete Passos da Democracia à Ditadura -
Ece Temelkuran
Edições (1)
Ver maisComo a Turquia está se perdendo e o que podemos salvar
Algumas frases deste livro em edição portuguesa que provavelmente você não lerá. Infelizmente: ''Se não formos politicamente ativos ou reativos, a compreensão transforma-se apenas na expressão e na troca de reações emocionais. As nossas reações minguam gradualmente até não passarem de um cabaré triste.'' "Talvez pela primeira vez na história humana, o material cômico sujo e repulsivo que desacredita os oprimidos não está a ser produzido pelo governante, mas sim pelo público, agindo, supostamente, segundo o seu livre-arbítrio. E quem tenta manter a moral e a sanidade durante o processo, e ao mesmo tempo mostrar a sua solidariedade para com os oprimidos, não só se vê obrigado a sofrer com eles, como também partilha a vergonha da troça e o seu efeito silenciador. A era do fingir não ver a vítima chegou ao fim. Estamos na era do fitar os oprimidos e rir deles, mesmo que o opressor não o tenha pedido. O que é um país? Ao procurar uma resposta a esta questão recordei o grande filme de Theo Angelopoulos. «O que é o amanhã?», perguntava o filme, e a resposta era o título, A Eternidade e Um Dia. Um país, pensei, é, na verdade, uma terra vasta e uma mesa. É uma mesa cercada por entes queridos a quem não temos de explicar as nossas piadas, e a terra vasta que a cerca, que, grosso modo, é a nossa imaginação.'' Apesar de todo o mal causado pelos líderes populistas de todos os espectros ideológicos, apesar da idolatria popular de culto a esses criminosos líderes, apesar de nossa ignorância é necessário agir e é necessário ter esperança. ''Este não é o meu país.'' muitos de nós podemos afirmar. Mas também, como e com Ece Telelkuran podemos afirmar também que o meu país são as coisas e as pessoas que nos são caras próximas de nós. Juntos sentados à mesa. Ou dançando como forma não apenas de protesto, mas de alegria pelo presente. Apesar da situação e conscientes de que passado esse momento breve devemos agir. A autora, uma premiada jornalista turca é constantemente atacada pelo regime de Erdogan. Algo como as jornalistas brasileiras passaram nos últimos quatro anos e talvez desde sempre, mas com uma intensidade tão ou mais avassaladora. Os idólatras de Erdogan pregam a doutrinação de crianças tal como a louca da goiabeira, meninos vestem azul, meninas rosa, meninas da Turquia usam véu e meninos um gorrinho islâmico. Mulheres tem que ser submissas e homens sempre viris e protetores desse regime tosco que se sustenta sobre a ignorância e apatia (indiferença que mata mais que terremotos) geral.
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