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    Babel -

    Frederico Monteiro

    Autografia
    2019
    294 páginas
    9h 48m
    ISBN-10: 8551820389
    Português Brasileiro
    4
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    O que um homem comum tem a nos oferecer? E se o olhássemos por dentro e nele nos enxergássemos? Babel acompanha poucas, mas decisivas semanas de Francisco, um advogado de meia idade que não quer ouvir falar de crises. A secretária Marta que se entrega a um relacionamento virtual, a vizinha adolescente, o pai viúvo, o senhorio mudo, a faxineira Neida, o padeiro extremista, cada um a seu modo reforça a necessidade humana de convivência e afeto. De forma elegante e natural, as histórias se cruzam, umas com glórias, outras com lágrimas, como a vida de todos nós. Em meio aos infortúnios da vida cotidiana, a redenção poderá vir com o desenrolar do intrincado e rumoroso caso criminal que um simplório cliente leva ao advogado.

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    Douglas Eraldo dos Santos30/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    10 CONSIDERAÇÕES SOBRE BABEL, DE FREDERICO MONTEIRO OU SOBRE MAL-ESTAR CONTEMPORÂNEO

    1 - Com Babel Frederico Monteiro estreia no romance com vigor e potência, numa publicação que chega até mesmo ser "um pecado" passar despercebida por grandes casas editoriais pois se trata de um destes raros primores da literatura, e como poucas publicações consegue captar o mal-estar e a melancolia de uma sociedade que se esfacela, um tanto resignada, um tanto incrédula e cética consigo mesma. Monteiro consegue neste trabalho captar o que mesmo autores experimentados têm encontrado dificuldade de encontrar. Um romance do Brasil de hoje; 2 - Mas vejamos quais as razões nos levam a chamar a atenção a esta interessante obra. Primeiro lugar que a despeito de estrear no gênero, Frederico Monteiro demonstra habilidades de um veterano em construir sua narrativa. De uma estética que carrega ecos de diferentes momentos de nossa literatura e com um narrador dotado de muitas virtudes, entre elas assumir-se narrador e com isso usar de todas as possibilidades na tessitura de seu enredo. É um narrador que joga com personagens e com os leitores, um narrador com claro domínio daquilo que narra e conhecedor de todas as ferramentas para tanto. Um primor de narração, carregada de certo lirismo e com a astúcia que apenas os bons narradores possuem em matéria de como a teia de aranha gruda a moscas grudar os leitores em cada página do romance; 3 - Em grande parte porque o narrador é habilidoso em transferir responsabilidades aos leitores. Em todo o romance temos a força e o poder do implícito e dos não-ditos. Há o cuidado de o narrador não afirmar, não dizer, mas sim jogar ao leitor o que pode ou não pode ser. Um narrador que não se intimida em trabalhar com as possibilidades, pode ter sido assim, mas também pode não ter sido. Além disso, um narrador erudito, doutor em muitos saberes que nos chegam com a força da simplicidade, um narrador exímio nos conhecimentos da língua, seus atalhos e suas normas, ademais um narrador que assim como todo o romance compreende que narrativas têm tanto mais poder quanto mais alegóricas podem ser;

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